Páscoa com recorde de vendas, chocolate mais caro e brasileiro mais seletivo

Setor deve faturar R$ 3,57 bilhões, maior valor da série histórica, impulsionado por 106,8 milhões de consumidores

Foto: VYCHEGZHANINA/iStock

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A Páscoa de 2026 promete ser a mais cara e também a mais lucrativa da história para o varejo brasileiro. Segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), as vendas de itens relacionados à data devem totalizar R$ 3,57 bilhões, o maior valor já registrado desde o início da série histórica em 2005.

O movimento será puxado por 106,8 milhões de consumidores, segundo pesquisa da CNDL/SPC Brasil, um crescimento nominal de 4,2 milhões de pessoas em relação ao ano passado. O Instituto Locomotiva também aponta otimismo: 90% dos brasileiros pretendem comprar produtos de Páscoa, índice 4 pontos percentuais maior que o de 2025.

A conta do chocolate: preços sobem, mas consumidor resiste

O paradoxo da Páscoa 2026 está nos preços. Enquanto a cesta de produtos de Páscoa como um todo ficou 5,73% mais barata na comparação com 2025, os chocolates subiram 16,71% no mesmo período, segundo levantamento do Ibre/FGV.

De forma isolada, o impacto é ainda mais agressivo: os ovos de chocolate industrializados estão até 37% mais caros do que no ano passado. A explicação está na defasagem entre a queda da matéria-prima e o repasse ao consumidor. Mesmo com o cacau registrando quedas de cerca de 60% no mercado internacional desde outubro de 2025, o preço dos chocolates ao consumidor seguiu em alta.

o domínio do ovo de chocolate está sendo desafiado. Pesquisa da AtlasIntel aponta que mais da metade dos brasileiros (54,7%) pretende comemorar a Páscoa com barras de chocolate, contra 44,7% que optam pelos ovos industrializados.

A preferência por formatos alternativos se confirma nos números:

  • Ovos industrializados: 56% de intenção de compra
  • Bombons: 50%
  • Barras de chocolate: 39%
  • Ovos artesanais: 40% 

O consumidor ficou mais exigente

Pela primeira vez, a qualidade (45%) superou o preço (44%) como principal critério de decisão de compra, segundo a CNDL/SPC Brasil. O consumidor está mais seletivo e disposto a pagar mais por produtos que entreguem valor agregado.

Os fatores que mais pesam na escolha:

  • Preço: 61%
  • Qualidade dos ingredientes: 53%
  • Tamanho: 44%
  • Marca conhecida: 43%
  • Variedade de sabores: 40% 

Outro movimento relevante: 68% dos consumidores afirmam preferir produtos artesanais, feitos por pequenos produtores, com o empreendedorismo associado à Páscoa em alta.

O levantamento do Instituto Locomotiva indica que 22% dos brasileiros pretendem produzir ou vender chocolates na data, o equivalente a 36 milhões de pessoas. Entre jovens de 18 a 29 anos, esse percentual sobe para 29%, e nas classes DE chega a 33%.

setor industrial também aposta alto. A Nestlé e a Garoto estruturaram uma operação para atingir mais de 500 mil pontos de venda em todo o país, com produção superior a 174 milhões de itens e expectativa de crescimento de dois dígitos em faturamento. A indústria de chocolates projeta 14,6 mil empregos temporários para a Páscoa, 50% a mais que em 2025 .

A ceia: bacalhau mais caro e tradição mantida

A mesa de Páscoa também pesa no bolso. O bacalhau subiu 9,9% nos últimos 12 meses, acima da inflação geral de 3,18%. Apesar disso, 78% dos brasileiros pretendem consumir pratos tradicionais da época, com o bacalhau, salmão e atum sendo a preferência de 49% dos consumidores.

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