Foto: Aleksandr Vorobev/iStock
A Petrobras anunciou nesta quarta-feira (1º) a redução de 8% no preço médio do diesel A vendido às distribuidoras, o primeiro corte em mais de um ano. A partir de hoje, o litro do combustível passa a custar R$ 3,55 nas refinarias, uma queda de R$ 0,28 em relação ao valor anterior.
O movimento ocorre em resposta à recente queda do petróleo no mercado internacional. O barril do Brent, que chegou a ultrapassar US$ 115 durante o auge da guerra no Oriente Médio, operava nas últimas semanas em torno de US$ 100.
Por que agora
A decisão foi possível graças à combinação de dois fatores: a desvalorização do petróleo no mercado global e a valorização do real frente ao dólar. A moeda brasileira se fortaleceu cerca de 8% neste ano, reduzindo o custo de importação de derivados.
Segundo o Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), os preços praticados pela Petrobras estavam acima da paridade de importação desde o início da guerra. Com o corte, a estatal busca alinhar seus valores ao mercado internacional e evitar que importadores ganhassem espaço com preços mais competitivos.
O que muda para o consumidor
O impacto na bomba deve ser sentido nos próximos dias, mas não necessariamente na mesma proporção. O diesel vendido nos postos é composto por uma mistura de diesel A (refinado pela Petrobras) e biodiesel, além de tributos estaduais e federais. A parcela do diesel A no preço final varia, mas a redução de 8% nas refinarias tende a se traduzir em um alívio menor ao consumidor final.
Mesmo assim, a medida traz alívio para um setor que vinha sofrendo com a escalada dos preços. O diesel acumulava alta de mais de 11% desde o início da guerra, pressionando custos de frete e, consequentemente, os preços dos alimentos no varejo.
Gasolina fica de fora
Diferentemente do diesel, o preço da gasolina permaneceu inalterado. A estatal optou por manter o valor nas refinarias, justificando que os preços praticados estão alinhados ao mercado internacional.
A decisão reflete a dinâmica diferente entre os dois combustíveis. Enquanto o Brasil é praticamente autossuficiente em gasolina, o país importa cerca de 30% do diesel que consome, o que torna esse combustível mais sensível às oscilações internacionais.
O que esperar
Apesar do alívio, analistas alertam que a volatilidade do cenário geopolítico ainda mantém o setor em estado de alerta. Qualquer nova escalada na guerra entre Israel e Irã pode reverter a queda do petróleo e pressionar os preços novamente.
O governo, por sua vez, acompanha de perto a evolução do conflito. O diesel é um dos principais focos de preocupação do Planalto por seu impacto direto nos custos logísticos e na inflação de alimentos, temas sensíveis em ano eleitoral.






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