PIB cresce apenas 0,1% no 3º trimestre, sinalizando desaceleração da economia

Economia brasileira perde ritmo, com consumo das famílias e serviços praticamente estagnados

Foto: Sidney de Almeida

Foto: Sidney de Almeida

A economia brasileira desacelerou acentuadamente no terceiro trimestre de 2025, com o Produto Interno Bruto (PIB) registrando um crescimento de apenas 0,1% em relação aos três meses anteriores. Os dados, divulgados pelo IBGE nesta quinta-feira (4), mostram uma perda de ritmo em relação ao segundo trimestre, quando a alta foi de 0,3%. Na comparação com igual período de 2024, o crescimento foi de 1,8%.

Consumo e serviços perdem fôlego

O principal motor da economia, o consumo das famílias, praticamente parou, avançando apenas 0,1% no trimestre, após crescer 0,6% no período anterior. Esse resultado reflete o impacto da taxa Selic em 15% ao ano, que encarece o crédito e reduz o poder de compra. O setor de serviços, que responde por cerca de 70% do PIB, também desacelerou fortemente, crescendo 0,1% (ante 0,3% no trimestre anterior). A única queda no setor foi em atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados (-1%).

Investimentos e exportações sustentam resultado

Do lado positivo, os investimentos (Formação Bruta de Capital Fixo) mudaram de direção e cresceram 0,9%, após retração de 2,2% no trimestre anterior. O consumo do governo também ajudou, com alta de 1,3%. No setor externo, as exportações tiveram forte desempenho, subindo 3,3%, mesmo com o “tarifaço” dos EUA, graças ao redirecionamento de mercados, especialmente para a China.

Reação dos mercados e perspectivas

A desaceleração reforçou as expectativas de corte da taxa de juros pelo Banco Central, possivelmente já no início de 2026. Os mercados reagiram positivamente a esse cenário: o dólar recuou 0,33%, sendo cotado a R$ 5,295, e o Ibovespa operava em alta de 0,41%, acima dos 161 mil pontos, buscando novo recorde.O Ministério da Fazenda, em nota, avaliou que o resultado “mantém a perspectiva de desaquecimento econômico e de fechamento do hiato do produto“, projetando um crescimento de 2,2% para 2025. A secretaria destacou que a desaceleração do consumo reflete os “impactos defasados da política monetária restritiva”.

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