Pix 2.0 contra golpes: nova regra rastreia dinheiro em cadeia

Com MED 2.0 em vigor, bancos agora podem bloquear contas por onde o valor fraudado passou; medida busca aumentar a baixa taxa de restituição de 10%

Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

Uma nova etapa na guerra contra os golpes no Pix começou nesta semana. Entrou em vigor em todo o sistema financeiro a versão 2.0 do Mecanismo Especial de Devolução (MED), determinação do Banco Central que dá poder aos bancos para rastrear e bloquear o dinheiro das vítimas mesmo após múltiplas transferências realizadas pelos golpistas.

A mudança é estrutural. Antes, a ação se limitava à conta que recebeu a transferência fraudulenta diretamente da vítima. Agora, o sistema pode seguir o rastro do dinheiro e bloquear cautelarmente todas as contas subsequentes por onde ele passou, em um movimento conhecido como bloqueio em cadeia. O objetivo é fechar o cerco à principal tática criminosa: a dispersão ultrarrápida dos valores para contas laranjas, que até hoje resultava em uma taxa de restituição de apenas 10%.

As 3 principais mudanças, na prática

  • Rastreamento ampliado: O dinheiro pode ser localizado e contido mesmo depois de transferido para terceiras, quartas ou quintas contas, aumentando exponencialmente a chance de recuperação.
  • Ação coordenada entre bancos: As instituições financeiras são obrigadas a compartilhar informações em tempo real e agir de forma conjunta para isolar o prejuízo no sistema.
  • Prazos mais claros: A contestação de uma fraude, feita diretamente pelo botão no app do banco, deve ter uma resposta das instituições envolvidas em até 11 dias corridos.

Apesar do avanço tecnológico e regulatório, especialistas alertam que o ressarcimento não é automático. Ele ainda depende da existência de saldo bloqueável nas contas e, crucialmente, da velocidade com que a vítima contesta a transação. Quanto mais rápido o alerta for dado, maior a chance de o dinheiro ainda estar no circuito rastreável.

A nova regra fortalece a retaguarda do sistema, mas a linha de frente da segurança continua sendo o comportamento do usuário. A orientação permanece a mesma: desconfiar de urgências para pagamento, nunca compartilhar senhas e sempre verificar os dados do destinatário. O MED 2.0 é um escudo mais poderoso, mas a melhor defesa segue sendo a prevenção.

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