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Uma pesquisa do instituto Genial/Quaest revela um sentimento público ambivalente e cauteloso dos brasileiros em relação à intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela. Embora 58% declarem temer que uma ação semelhante possa ocorrer contra o Brasil no futuro, quase metade da população (46%) aprova a operação que capturou o presidente Nicolás Maduro. A maioria (66%) defende que o governo Lula adote uma postura de neutralidade.
O levantamento, realizado entre 8 e 11 de janeiro com 2.004 pessoas, ilumina a complexa percepção da população sobre um dos episódios geopolíticos mais impactantes dos últimos anos na América Latina. Os dados mostram um eleitorado que, ao mesmo tempo que reconhece a gravidade do precedente estabelecido, vê com certa legitimidade a ação contra um regime considerado ditatorial.
Aprovação, temor e a demanda por neutralidade
Os números da pesquisa pintam um quadro cheio de nuances. Enquanto 46% aprovam a ação militar norte-americana, 39% a desaprovam. Quando perguntados se é válido invadir um país para prender um ditador, 50% concordam, contra 41% que discordam.
Esse cenário de relativa aceitação, no entanto, não se traduz em apoio a um posicionamento ativo do Brasil. Uma clara maioria de 66% acredita que o país deve se manter neutro diante da crise. Apenas 18% defendem apoiar as ações de Trump, e 10% acham que o Brasil deveria se opor abertamente.
Esse anseio por neutralidade parece refletir uma avaliação crítica da atuação do presidente Lula até o momento. Para 51% dos entrevistados, a condenação feita por Lula à intervenção (que ele chamou de “afronta gravíssima à soberania”) foi errada. Apenas 37% consideram que o presidente acertou em seu posicionamento.
As motivações atribuídas a Trump e o medo projetado para o Brasil
A população está dividida sobre os reais motivos por trás da ação de Trump. Para 31%, o principal objetivo era o combate ao narcotráfico; 23% acreditam que foi para restaurar a democracia na Venezuela; e 21% veem a intenção de controlar o petróleo venezuelano.
O dado talvez mais significativo em termos de política externa é o temor de contágio. Os 58% que afirmam temer uma ação semelhante contra o Brasil indicam um grau de desconfiança e apreensão em relação à política externa intervencionista do governo Trump. Esse receio é mais acentuado entre os eleitores de Lula (74%), mas também é expressivo entre os simpatizantes de Bolsonaro (57%).
A pesquisa sugere que, para a maioria dos brasileiros, a postura mais segura e desejável em um cenário internacional volátil é a de cautela e não alinhamento automático, refletindo uma visão pragmática que prioriza a autopreservação nacional.







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