Foto: Eduardo Husillos/iStock
Um alerta emitido pela Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde (MHRA) do Reino Unido trouxe à tona um lado menos discutido do fenômeno global das “canetas emagrecedoras”. A autoridade, equivalente à Anvisa no Brasil, vinculou o uso de medicamentos como semaglutida (Wegovy/Ozempic) e tirzepatida (Mounjaro) a casos graves e potencialmente fatais de pancreatite aguda.
Entre 2007 e outubro de 2025, a MHRA recebeu 1.296 notificações de pancreatite associada a esses fármacos. Os registros, considerados “extremamente raros” diante da distribuição de mais de 25 milhões de embalagens nos últimos cinco anos no país, incluem 19 mortes e 24 casos de pancreatite necrosante, forma grave em que há morte do tecido do pâncreas.
O equilíbrio entre benefício e risco
A diretora de Segurança da MHRA, Alison Cave, foi enfática ao contextualizar o alerta. “Para a grande maioria dos pacientes que recebem prescrição médica para utilizar medicamentos agonistas GLP-1, eles se mostram seguros e eficazes, proporcionando benefícios significativos para a saúde”, afirmou. No entanto, ela reforçou: “O risco de desenvolver esses efeitos colaterais graves é muito pequeno, mas é importante que pacientes e profissionais de saúde estejam cientes e atentos“.
O alerta serve como um contraponto necessário ao furor em torno desses medicamentos, que se tornaram símbolos de um novo padrão de consumo em saúde e bem-estar. Uma pesquisa recente da University College London estima que 1,6 milhão de adultos na Inglaterra, País de Gales e Escócia usaram essas substâncias para perda de peso apenas entre o início de 2024 e 2025.
Sinais de alerta que exigem ação imediata
A principal recomendação da agência é o reconhecimento precoce dos sintomas. Pacientes e médicos devem estar atentos a uma dor abdominal intensa e persistente, que pode irradiar para as costas e ser acompanhada de náuseas e vômitos. A orientação é buscar atendimento médico imediatamente caso esses sinais apareçam.
As fabricantes, Novo Nordisk (Wegovy/Ozempic) e Eli Lilly (Mounjaro), reiteraram que a segurança do paciente é prioritária e que o perfil benefício-risco de seus produtos permanece positivo. Ambas reforçam a necessidade de uso estritamente sob prescrição e supervisão médica, especialmente para pacientes com histórico de problemas no pâncreas.
Um alerta que ressoa no Brasil e no mundo
O caso expõe um desafio global na era dos medicamentos da moda: como garantir que a velocidade do consumo e o desejo por soluções rápidas não ofusquem a necessidade de acompanhamento médico rigoroso e a educação sobre riscos potenciais. No Brasil, onde esses medicamentos também são aprovados e populares, o alerta britânico serve como um importante lembrete para consumidores, profissionais de saúde e para a própria Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).A mensagem final das autoridades é de cautela, não de alarme. Trata-se de assegurar que o acesso à inovação farmacêutica venha acompanhado de informação clara e responsável, garantindo que a busca por saúde e bem-estar não abra espaço para riscos evitáveis.







Deixe um comentário