Imagem: VML/Reprodução
A VML apresentou a 12ª edição do relatório The Future 100, que mapeia as principais tendências globais de consumo e comportamento para 2026. Baseado em uma pesquisa com mais de 15 mil adultos em 16 mercados, incluindo o Brasil, o estudo identifica 100 tendências distribuídas em dez setores, como tecnologia, marketing, varejo e inovação.
O documento revela que o público não está apenas lidando com as instabilidades atuais, mas abraçando novas formas de viver, consumir e se conectar com as marcas. O cenário é de resiliência e busca por transformações fundamentais na cultura e nos negócios.
10 tendências para ficar de olho
1) Democratizando a creAltividade
As ferramentas de IA generativa estão tornando a criatividade de alto nível acessível a todos, permitindo que indivíduos e marcas criem conteúdo complexo com facilidade. Uma pesquisa da Adobe e The Harris Poll mostra que 76% dos criadores digitais afirmam que a IA os ajudou a crescer nos negócios, enquanto 81% agora criam conteúdos que não seriam possíveis sem essa tecnologia.
2) O criador soberano
O relatório aponta uma evolução na economia dos criadores, onde eles passam a ter mais poder do que as plataformas, construindo ecossistemas próprios de audiência e monetização. Os dados mostram que 60% dos consumidores sentem uma conexão pessoal com influenciadores online e o mercado de influência deve movimentar 480 bilhões de dólares em 2027, segundo projeções da Goldman Sachs.
3) Democracias de marca
Marcas estão convidando comunidades para participar ativamente do desenvolvimento de produtos e campanhas. Segundo a VML, 75% dos consumidores millennials e da Geração Z querem maior envolvimento com as marcas favoritas. Um exemplo é a campanha da Škoda, que permitiu que membros do Reddit personalizassem um modelo de carro, resultando em aumento de 255% nas encomendas e prêmio de ouro no Cannes Lions.
4) Branding antropomorfizado
É a “era do mascote de marca desequilibrado” (unhinged brand mascot), como o Duo do Duolingo, que utiliza humor e narrativas inusitadas em redes sociais para gerar engajamento massivo. No Weibo, uma rede social popular na China, uma colaboração entre o Duolingo e a Luckin Coffee alcançou mais de 9,6 milhões de visualizações em poucos dias.
5) A influência da Geração Alpha
Nascida entre 2010 e 2024, a Geração Alpha já influencia 42% dos gastos domésticos e possui poder de consumo direto superior a US$ 100 bilhões anuais. Para marcas, entender esse grupo que nasceu em um ambiente de jogos e IA é vital para o planejamento futuro.
6) Experiências transformadoras
A economia da experiência está evoluindo para a “economia da transformação”, onde o consumidor busca resultados que mudem sua perspectiva ou vida pessoal. Cerca de 87% das pessoas concordam que as melhores experiências são aquelas que as deixam transformadas de alguma forma, e 88% desejam vivências significativas.
7) Treatonomics (“economia dos mimos” ou pequenos luxos)
Em tempos de incerteza econômica, os consumidores priorizam pequenos gastos (“mimos”) que oferecem dopamina imediata e conforto emocional. Cerca de 30% da Geração Z está gastando mais em pequenos prazeres como forma de autocuidado e sensação de controle. O fenômeno também aparece em outras análises como “compras para a alegria e para o prazer”.
8) Mundos narrativos de IA
A inteligência artificial permite a criação de universos narrativos adaptativos e interativos onde as marcas podem cocriar histórias em tempo real com seu público. Isso redefine o storytelling de passivo para uma experiência imersiva e participativa.
9) Universos de storytelling
Marcas estão expandindo suas propriedades intelectuais (IP) para múltiplos formatos, como jogos, filmes e produtos físicos, criando ecossistemas de entretenimento que vão além da venda de produtos.
10) Geração sintética
Uma nova geração de consumidores está formando relacionamentos significativos com identidades geradas por IA. Cerca de 49% das pessoas afirmam ter formado uma conexão significativa com uma inteligência artificial, o que abre novos campos para atendimento ao cliente e personalidades de marca sintéticas.
O conceito por trás das tendências
O estudo introduz o conceito de “distopismo”, uma mentalidade que mescla o reconhecimento de desafios globais complexos com uma busca ativa por inovação e renovação. Essa abordagem sugere que, diante de crises e sistemas em colapso, surge um movimento para construir novas soluções centradas no ser humano, transformando a disrupção em um catalisador de mudanças.
Algumas outras tendências mencionadas no relatório incluem o design “imperfeito” (em resposta à estética muito polida), o turismo radical (combinando lazer com esporte de resistência) e o bem-estar imersivo (autocuidado através de experiências sensoriais).






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