Trump diz que pode tomar o Irã “em uma noite” e endurece ameaças

Presidente dos EUA rejeitou proposta de cessar-fogo mediada pelo Paquistão e mantém prazo para reabertura do Estreito de Ormuz nesta terça-feira (7)

Foto: Casa Branca/Reprodução

Foto: Casa Branca/Reprodução

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (6) que os EUA podem tomar “o Irã inteiro em apenas uma noite” e que o ataque decisivo pode ocorrer já na terça-feira (7). A declaração foi feita durante pronunciamento na Casa Branca, ao lado do secretário de Defesa, Pete Hegseth, e do chefe do Estado-Maior Conjunto, general Dan Caine.

A ameaça ocorre no prazo final dado por Washington para que o Irã reabra o Estreito de Ormuz, fechado desde o início dos ataques de EUA e Israel ao país persa, em 28 de fevereiro. O estreito é a rota por onde passa cerca de 20% da produção global de petróleo.

O prazo final

Trump confirmou que a terça-feira (7) é o limite para que o Irã permita a livre navegação no Estreito de Ormuz. Caso o país não ceda, os EUA prometem intensificar os ataques.

  • Infraestrutura civil na mira: no domingo (5), Trump afirmou em publicação nas redes sociais que ordenará ataques contra usinas elétricas e pontes iranianas caso o governo não reabra o estreito.
  • Críticas a crimes de guerra: questionado se a ação constituiria crime de guerra, Trump respondeu: “Não, porque eles são animais”. O direito internacional proíbe o ataque a alvos civis em conflitos armados.
  • Petróleo na mira: “Se eu pudesse escolher, eu tomaria o petróleo (do Irã)”, disse Trump, mas ponderou que “os cidadãos americanos querem que a gente termine a guerra”.

A proposta de cessar-fogo rejeitada

Tanto EUA quanto Irã rejeitaram uma proposta de cessar-fogo mediada pelo Paquistão. Trump classificou o texto como “um ato significativo, mas ainda não bom o suficiente”. Pelo lado iraniano, a agência estatal Irna informou que o país prefere “um fim definitivo para a guerra, e não apenas uma trégua”.

O porta-voz do Exército iraniano, Mohammad Akraminia, afirmou à agência Isna: “Podemos continuar a guerra enquanto as autoridades políticas considerarem oportuno”.

O resgate dos pilotos americanos

Durante o pronunciamento, Trump deu detalhes da operação de resgate dos dois tripulantes de um caça F-15E abatido em território iraniano dias antes. A operação envolveu 155 aeronaves, segundo o presidente. O piloto manteve comunicação constante com sua unidade e foi resgatado cerca de seis horas após a queda. Já o oficial de sistemas subiu uma montanha de cerca de 2.100 metros e se escondeu em uma fenda até ser encontrado pelas forças americanas, enquanto o Irã oferecia recompensa para quem o capturasse.

O secretário de Defesa, Pete Hegseth, comparou o resgate ao Tríduo Pascal: “Abatido em uma sexta-feira: Sexta-feira Santa. Escondido em uma caverna, em uma fenda, durante todo o sábado. E resgatado no domingo. Retirado do Irã enquanto o sol nascia no Domingo de Páscoa.”

O custo político da guerra para Trump

A guerra no Oriente Médio já dura mais de um mês e tem gerado efeitos negativos na política interna americana.

  • Popularidade em queda: pesquisa do Pew Research Center aponta que 61% dos americanos desaprovam a atuação de Trump na guerra, enquanto 37% aprovam. A aprovação geral do presidente caiu para 40%, o menor nível desde o começo do mandato.
  • Combustíveis em alta: o preço médio da gasolina nos EUA superou US$ 4 por galão na semana passada, o maior valor em quatro anos, pressionando a inflação.
  • Desempenho militar questionado: 45% dos americanos dizem que os militares não estão indo bem no conflito, segundo o Pew Research Center.

O que esperar

A terça-feira (7) é o dia decisivo. Trump afirmou que “poderíamos sair agora mesmo se quiséssemos, mas eu quero terminar o trabalho”. O secretário Hegseth disse a repórteres que o maior volume de ataques desde o início da operação ocorreria nesta segunda-feira (6) e que mais ataques estão previstos para terça.

O governo iraniano, por sua vez, expressou preocupação de que os ataques possam constituir crime de guerra. As agências de notícias do país relataram que o regime avalia as próximas etapas, enquanto mantém o estreito fechado e a produção de petróleo global sob pressão.

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