Trump ordena retirada dos EUA de mais de 60 organizações internacionais

Medida consolida padrão estabelecido desde seu primeiro mandato, acelerado desde o retorno à Casa Branca

Foto: Shealah Craighead/Official White House

Foto: Shealah Craighead/Official White House

Em um movimento que reforça sua agenda nacionalista e cética do multilateralismo, o presidente dos EUA, Donald Trump, determinou a saída do país de 66 organizações internacionais. A ordem executiva assinada na quarta-feira (7) retira os Estados Unidos de 31 entidades vinculadas à ONU e de 35 organismos externos ao sistema das Nações Unidas.

Segundo a Casa Branca, a medida visa encerrar o financiamento e o envolvimento norte-americano em entidades que “operam contrariamente aos interesses nacionais dos EUA” ou promovem “agendas globalistas”. A administração Trump afirma que os recursos dos contribuintes serão realocados para prioridades domésticas.

O que os EUA estão abandonando

A lista de organizações, divulgada pela Casa Branca, abrange uma gama ampla de temas, com forte concentração em fóruns sobre clima, meio ambiente e governança global. As saídas mais emblemáticas incluem:

  • Clima e Meio Ambiente: Convenção-Quadro da ONU sobre Mudança do Clima (UNFCCC), Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) e Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA). A retirada do tratado climático da ONU deixa os EUA como o único país fora do principal fórum diplomático sobre o tema.
  • Direitos Humanos e Sociais: Entidade da ONU para a Igualdade de Gênero (ONU Mulheres), Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e Escritórios de Representantes Especiais para crianças e violência sexual em conflitos.
  • Comércio e Desenvolvimento: Conferência da ONU sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) e Centro de Comércio Internacional.
  • Outras Agências Especializadas: Organização Internacional de Madeiras Tropicais e Comissão de Veneza do Conselho da Europa, entre dezenas de outras.

Um padrão de afastamento multilateral

Esta não é a primeira vez que Trump adota uma postura de confronto com instituições globais. A medida consolida um padrão estabelecido desde seu primeiro mandato (2017-2021) e acelerado desde seu retorno à Casa Branca. O país já havia deixado a Organização Mundial da Saúde (OMS), a UNESCO e suspendido o apoio ao Conselho de Direitos Humanos da ONU e à agência de assistência a refugiados palestinos (UNRWA).

Trump também retirou os EUA do Acordo de Paris sobre o clima e a abordagem tem sido descrita por analistas como “à la carte”, onde o apoio financeiro e político é direcionado apenas a operações que se alinham estritamente com a agenda “America First”. A estratégia forçou a ONU e ONGs a realizarem cortes profundos de pessoal e programas.

Críticas e consequências globais

A decisão foi amplamente criticada por especialistas e ex-funcionários do governo. Gina McCarthy, ex-conselheira climática da Casa Branca, classificou-a como “míope, embaraçosa e tola”, alertando que os EUA perdem influência sobre trilhões em investimentos e políticas globais.

Cientistas também temem que o movimento forneça uma “desculpa” para que outras nações relaxem seus compromissos ambientais. Paralelamente, a administração Trump sinalizou que pretende concentrar esforços e recursos em organismos de padronização técnica, como a União Internacional de Telecomunicações, onde a competição estratégica com a China é mais acirrada.

O anúncio ocorre em um momento de tensões geopolíticas elevadas, marcado pela recente intervenção militar dos EUA na Venezuela, e reforça o afastamento de Washington das estruturas de cooperação internacional construídas no pós-Guerra.

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