Foto: Leopard123 | Wikimedia Commons
O Chile viveu neste domingo (16) uma eleição que reflete a virada conservadora na América Latina. José Antonio Kast, da extrema-direita, e Jeannette Jara, do Partido Comunista, avançaram para o segundo turno em 14 de dezembro, em uma disputa que coloca em choque dois projetos radicais para o país, com Kast sendo o favorito graças ao alinhamento das demais forças de direita.
Os números da polarização
Com 99,79% das urnas apuradas:
- Jeannette Jara (PCCh): 26,85%
- José Antonio Kast (Republicano): 23,93%
- Franco Parisi (direita): 19,71%
- Johannes Kaiser (ultradireita): 13,94%
- Evelyn Matthei (direita tradicional): 12,46%
A soma dos votos dos quatro candidatos de direita ultrapassa 70%, colocando Kast em posição vantajosa para o segundo turno.
A direita se unifica, a esquerda se isola
O cenário pós-eleitoral mostra uma direita rapidamente se consolidando em torno de Kast, que já recebeu o apoio fundamental de Johannes Kaiser da ultradireita e Evelyn Matthei da direita tradicional. Esta unificação é estratégica: se mantiver essa coalizão, Kast alcançaria 50,51% dos votos no segundo turno, enquanto Jeannette Jara teria um teto máximo de 49,48% mesmo somando todos os outros candidatos. A esquerda enfrenta o desafio de ampliar sua base além do eleitorado governista, em um contexto onde a direita demonstra maior capacidade de articulação.
Segurança pública: o tema dominante
A eleição marca uma guinada radical em relação a 2021, quando a esquerda chegou ao poder prometendo reformas progressistas. O cenário atual é dominado pela crise de segurança: a taxa de homicídios mais que dobrou em 10 anos, saltando de 2,3 para 6,0 por 100 mil habitantes, enquanto os sequestros bateram recorde em 2024 com 860 casos registrados. A crise migratória também pesa no debate, com quase 700 mil venezuelanos no país. Kast capitaliza este clima com propostas duras como o “Escudo da Fronteira”, que prevê muro de 5 metros e cercas elétricas na fronteira norte, e a expulsão de imigrantes irregulares, além de buscar parceria com Trump e o eixo direitista regional. Jara, por outro lado, defende o fim do sigilo bancário para investigar o crime organizado, a criação de uma Empresa Nacional de Lítio e políticas sociais como salário mínimo e preço máximo para medicamentos.
Impacto regional e global
Uma eventual vitória de Kast teria consequências significativas para o equilíbrio geopolítico na América Latina, fortalecendo o eixo direitista que já inclui Argentina, Equador e El Salvador, e aproximando o Chile da administração Trump em um momento crucial. Como maior produtor mundial de cobre e ator fundamental no mercado de lítio, matérias-primas essenciais para a transição energética global, o Chile sob governo de extrema-direita poderia reorientar suas alianças comerciais e estratégicas, afetando desde cadeias de suprimentos até a correlação de forças no continente.







Deixe um comentário