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Os países da União Europeia deram um passo decisivo para a criação da maior área de livre-comércio do mundo ao aprovarem, nesta sexta-feira (9), o acordo comercial com o Mercosul. Após mais de 25 anos de negociações, o tratado foi aprovado em reunião de embaixadores em Bruxelas, superando a resistência de nações como França e Irlanda e abrindo caminho para a assinatura já na próxima semana.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, deve viajar ao Paraguai na segunda-feira (12) para selar o acordo. O apoio veio após a adoção de uma salvaguarda que permite um monitoramento mais rigoroso para proteger o setor agrícola europeu, uma concessão crucial para obter o voto favorável de países como a Itália.
Um acordo de dimensões continentais
O tratado cria uma zona de livre-comércio entre blocos que, juntos, representam cerca de 780 milhões de consumidores e um fluxo comercial bilionário. Seus principais pilares são:
- Eliminação gradual de tarifas: Redução ou fim progressivo de impostos de importação sobre uma vasta gama de produtos.
- Acesso recíproco de mercados: O Mercosul ganha acesso facilitado para produtos agropecuários (como carne, soja e etanol) ao mercado europeu de 450 milhões de pessoas. A UE, por sua vez, amplia a venda de produtos industriais (automóveis, máquinas, medicamentos) ao bloco sul-americano.
- Regras comuns: O texto estabelece normas sobre compras governamentais, serviços, propriedade intelectual, meio ambiente e mecanismos para resolver disputas comerciais.
A superação da resistência europeia
A aprovação não foi tranquila. Um grupo de países, liderado pela França, manteve forte oposição até o fim, temendo a concorrência com produtos agropecuários sul-americanos mais baratos e alegando diferenças nos padrões ambientais. A Irlanda, Polônia, Áustria e Hungria também votaram contra, enquanto a Bélgica se absteve.
A virada decisiva ocorreu com o apoio da Itália, que havia condicionado seu voto a garantias para seus agricultores. O acordo incluiu uma salvaguarda que reduz o gatilho para acionar medidas de proteção no mercado agrícola europeu, de 8% para 5% no aumento de importações, atendendo a uma demanda-chave de Roma.
Próximos passos e impactos para o Brasil
A assinatura na próxima semana é um marco político, mas não o fim do processo. O texto ainda precisará ser ratificado pelo Parlamento Europeu e, posteriormente, por cada um dos parlamentos nacionais dos 27 países da UE e dos membros do Mercosul, uma jornada que pode levar anos.
Para o Brasil, maior economia do bloco sul-americano, o acordo é visto como estratégico. Ele amplia o acesso a um mercado consumidor de alto poder aquisitivo, diversifica parcerias comerciais e pode atrair investimentos estrangeiros. O agronegócio é o setor mais imediatamente beneficiado, mas a indústria nacional também ganha com insumos mais baratos e acesso a tecnologia.
O governo Lula tem pressionado pela conclusão do tratado, adotando um tom firme contra a inclusão de novas exigências unilaterais. O fim desse impasse de mais de duas décadas é comemorado como uma vitória da diplomacia comercial e um contraponto ao cenário global de crescente protecionismo.







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