XP: Economia desacelera, mas BC deve manter cautela antes de cortar juros em março

Relatório mensal da corretora eleva projeção do PIB 2025 para 2,3%, mas aponta riscos que justificam prudência do Copom

Foto: RHJ/iStock

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A XP Investimentos revisou para cima sua projeção de crescimento da economia brasileira em 2025, de 2,1% para 2,3%, após reavaliação dos resultados da agropecuária no início do ano. No entanto, em seu relatório mensal “Brasil Macro”, a corretora destaca que a atividade econômica doméstica está perdendo força, em linha com o esperado para uma política monetária restritiva, e que o Copom deve manter a cautela antes de iniciar um ciclo de cortes na taxa Selic, previsto para março de 2026.

Cenário econômico e projeções

  • PIB 2026: Projeção mantida em 1,7%.
  • Inflação (IPCA): Previsão para 2025 reduzida de 4,5% para 4,3%, com inflação de alimentos e bens industriais controlada. Para 2026, a estimativa segue em 4,2%.
  • Câmbio: Projeção mantida em R$ 5,30 por dólar no fim de 2025 e R$ 5,50 no final de 2026.
  • Dívida pública: Deve continuar subindo, podendo atingir 83,7% do PIB em 2026.

Por que o BC deve ser cauteloso?

A XP avalia que, embora a combinação de atividade mais fraca e inflação controlada abra espaço para cortes de juros, fatores de risco sustentam a postura prudente do Banco Central:

  1. Medidas fiscais em discussão podem reaquecer a demanda e pressionar preços.
  2. O mercado de trabalho permanece apertado.
  3. As expectativas de inflação para 2026 e 2027 seguem acima da meta do BC.

A casa considera “prudente” que o BC aguarde um pouco mais para assegurar a continuidade do processo de desinflação. A projeção-base é de corte de 0,50 ponto percentual em março, mas a XP “não descarta um início mais cedo, em janeiro”.

Riscos fiscais e cenário externo

O relatório aponta que o governo deve cumprir a meta de resultado primário em 2025, mas precisa de receitas extras para atingir o limite inferior da meta em 2026. No cenário global, a XP adota tom cauteloso, destacando a deterioração fiscal em economias desenvolvidas e os ruídos geopolíticos (como as medidas imprevisíveis do governo Trump e a guerra na Ucrânia) como fatores que devem frear uma forte valorização de ativos de risco.

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