67% dos investidores temem bolha da IA, aponta pesquisa da Janus Henderson

Levantamento com 1.000 investidores revela que, apesar do otimismo de longo prazo, dois terços estão preocupados com uma correção de mercado impulsionada pela tecnologia

Foto: Dusan Petkovic/iStock

Foto: Dusan Petkovic/iStock

A corrida da inteligência artificial ganhou novos capítulos. A Anthropic, dona do Claude, protocolou pedido de IPO nos EUA. A SpaceX anunciou planos para levantar 75 bilhões de dólares na maior oferta pública inicial da história, movimento que também deve ser seguido pela OpenAI. O apetite dos investidores por empresas ligadas à nova onda tecnológica segue forte, mas vem acompanhado de um forte sentimento de cautela.

É o que mostra a pesquisa da gestora global Janus Henderson com 1.000 investidores americanos com mais de US$ 250 mil em ativos para investir, conduzida entre 5 e 24 de março de 2026. O levantamento revela que 67% estão preocupados com uma possível bolha ou correção de mercado ligada à inteligência artificial no curto prazo.

O que preocupa os investidores sobre IA

  • 67% temem uma bolha ou correção de mercado ligada à IA nos próximos 12 meses;
  • 61% acreditam que a IA terá impacto positivo de longo prazo sobre os mercados;
  • 28% temem que a tecnologia não corresponda às expectativas;
  • 24% citam riscos de vieses, uso indevido ou salvaguardas insuficientes;
  • 19% acreditam que os investimentos em IA podem estar supervalorizados.

Otimismo de longo prazo

Apesar do temor imediato, a visão sobre o futuro da tecnologia é mais construtiva. Quase metade dos investidores (46%) espera que a IA tenha um impacto positivo modesto nos retornos de mercado nos próximos cinco anos, enquanto 15% antecipam um impacto positivo significativo no mesmo período.

A convicção mais forte sobre os ganhos de longo prazo está concentrada entre os investidores mais jovens: 31% dos millennials esperam retornos excepcionais da IA, contra 14% da Geração X e apenas 8% dos baby boomers.

A lição da bolha “pontocom

O gestor Denny Fish, da equipe global de Tecnologia e Inovação da Janus Henderson, admite que o ceticismo com a IA é compreensível, mas alerta que os investidores correm o risco de não distinguir entre o ruído das avaliações e a mudança estrutural de longo prazo.

O paralelo com a bolha da internet no fim dos anos 1990 é inevitável. A internet também era revolucionária, mas isso não impediu a bolha “pontocom”. No caso da IA, a preocupação adicional é que o risco não está apenas nas ações de empresas de tecnologia, mas também na infraestrutura financiada para sustentar essa corrida.

Fish complementa: não haverá tema secular maior do que a IA nesta geração. Mas os investidores precisam de paciência e disciplina, porque, enquanto a IA criará grandes vencedores ao longo do tempo, também exporá grandes perdedores ao longo do caminho.

Barreiras para o uso da IA nas finanças

A pesquisa também identificou barreiras significativas para o uso da IA em decisões de investimento:

  • 75% preocupados com vieses ou conflitos de interesse nas recomendações;
  • 74% citam preocupações com privacidade e segurança de dados;
  • 73% preferem métodos tradicionais (consultores humanos ou pesquisa própria);
  • 72% admitem falta de confiança nas recomendações geradas por IA;
  • 70% não se sentem confortáveis para julgar se o conselho da IA é confiável.

A maioria (87%) se sentiria bem ou neutra com o uso de IA por seus consultores financeiros para criar materiais educativos. No entanto, 40% ficariam chateados se o consultor usasse IA para responder automaticamente a mensagens, e um terço rejeitaria recomendações de investimento feitas pela tecnologia.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *