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O Brasil é o maior mercado de beleza da América Latina e um dos mais promissores para a K-beauty no mundo. Um estudo da Euromonitor revela um dado estratégico: entre consumidores da Geração Z e millenials, 60% a 80% conhecem bem os produtos e as rotinas coreanas de skincare. Mas a taxa de conversão em compra ainda é baixa, especialmente pela dificuldade de acesso e burocracia regulatória, e é exatamente essa lacuna que o governo brasileiro e a Coreia do Sul querem preencher.
Na última segunda-feira (23), durante a visita de Estado de Lula a Seul, a Anvisa assinou um memorando de cooperação técnica com a Coreia do Sul focado na harmonização regulatória para cosméticos. O objetivo é simplificar registros e importações, reduzindo entraves que, hoje, encarecem e atrasam a chegada de produtos coreanos às prateleiras brasileiras. O presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, foi direto: os produtos de K-beauty “se tornarão ainda mais acessíveis aos consumidores brasileiros” .
Os números da febre coreana
O interesse do brasileiro pela K-beauty (nome dado para produtos e rotinas de cuidados com a pele derivados da Coreia do Sul) não é recente, mas atingiu novo patamar. Segundo dados do Google Trends, 2025 marcou o recorde histórico de buscas por termos como “skincare coreano”, “peeling coreano” e “protetor solar coreano” no país . Em 2024, o Brasil importou cerca de US$ 16,77 milhões em preparações cosméticas coreanas . O mercado global de K-beauty no país, avaliado em US$ 1,78 bilhão em 2024, deve chegar a US$ 4,21 bilhões até 2033, com crescimento anual de 10,11% .
As inovações coreanas em skincare, como peptídeos de cobre, exossomos vegetais, PDRN (fragmento de DNA usado em medicina regenerativa) e a filosofia do “skinimalism” (minimalismo inteligente com produtos multifuncionais), já influenciam consultórios dermatológicos brasileiros, que adaptam os conceitos à realidade do clima tropical e das peles oleosas do país.
Para além do skincare: a onda coreana que não para de crescer
O fenômeno, porém, vai muito além dos potes de creme. Um relatório do Ministério da Cultura sul-coreano, divulgado nesta semana, mapeou mais de 1,5 milhão de menções à Hallyu (a Onda Coreana) em 30 países entre outubro de 2024 e setembro de 2025. Os dados mostram que o interesse global pela cultura coreana está se diversificando para além do k-pop.
- Cinema: O Brasil se destaca pelo interesse em filmes coreanos, ao lado da Oceania.
- K-dramas: “Squid Game” manteve influência global, com a 3ª temporada alcançando o 1º lugar em 93 países.
- K-food: O termo “Culinary Class Wars”, reality culinário coreano da Netflix, impulsionou buscas por kimchi, ramyeon (macarrão instantâneo) e soju.
- Literatura: Após o Nobel de Han Kang em 2024, a cobertura da mídia estrangeira sobre literatura coreana saltou 30 pontos percentuais.
- Turismo: O drama “When Life Gives You Tangerines” aumentou o fluxo de visitantes estrangeiros na Ilha de Jeju e no Museu Nacional da Coreia.
O que esperar
A combinação de acesso facilitado a produtos com o apetite cultural já existente pode levar a K-beauty a um novo patamar no Brasil. O consumidor brasileiro, que já demonstrou alta receptividade à música, às novelas e à culinária coreana, agora terá mais facilidade para incorporar à rotina os famosos séruns de mucina de caracol, as máscaras noturnas de colágeno e os protetores solares com textura leve que viraram febre nas redes sociais.
A Coreia do Sul, terceiro maior exportador global de cosméticos (atrás apenas de França e EUA), aposta no Brasil como porta de entrada para toda a América Latina. E o Brasil, por sua vez, pode se beneficiar não apenas como consumidor, mas como parceiro em inovação e desenvolvimento de formulações adaptadas ao mercado local.







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