Foto: rarrarorro/iStock
Entra em vigor nesta sexta-feira (1º) o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, após décadas de negociação. Segundo estimativas da Confederação Nacional da Indústria (CNI), mais de 80% dos produtos vendidos pelo Brasil ao bloco europeu passam a ter tarifa de importação zerada nesta fase inicial.
O acordo cria uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, conectando um mercado de mais de 700 milhões de consumidores. Mais de 5 mil produtos brasileiros terão tarifa zero imediatamente, incluindo itens industriais e agrícolas.
O que muda para as exportações brasileiras
Dos 2.932 produtos que terão tarifas zeradas já no início, cerca de 93% (2.714) são bens industriais. Os demais incluem itens do setor alimentício e matérias-primas. A indústria brasileira ganha acesso mais competitivo a um dos mercados mais exigentes e relevantes do mundo.
Entre os setores que mais devem sentir o impacto positivo estão:
- Máquinas e equipamentos (21,8% dos 2.932 produtos com redução imediata) — quase 96% das exportações brasileiras para a Europa passam a entrar sem tarifa, incluindo compressores, bombas industriais e peças mecânicas.
- Alimentos (12,5%) — centenas de itens terão tarifa zero.
- Metalurgia (9,1%) — inclui ferro-gusa, chumbo e barras de níquel.
- Máquinas, aparelhos e materiais elétricos (8,9%).
- Produtos químicos (8,1%).
Por que o acordo é estratégico
Atualmente, países com os quais o Brasil tem acordos comerciais representam cerca de 9% das importações globais. Com a entrada da União Europeia, esse número pode saltar para mais de 37%.
Para o presidente da CNI, Ricardo Alban, o acordo amplia o acesso preferencial para um dos mercados mais estratégicos do mundo e oferece maior previsibilidade regulatória. “O acordo representa uma oportunidade para ampliar, de forma significativa, a presença do Brasil no mercado internacional e fortalecer a agenda de competitividade industrial do país”, explica.
Implementação gradual e próximas etapas
Nem todos os produtos terão tarifas zeradas de uma vez. Para itens considerados mais sensíveis, a redução será feita de forma gradual:
- Em até 10 anos na União Europeia.
- Em até 15 anos no Mercosul.
- Para novas tecnologias (como veículos elétricos e híbridos), o prazo pode chegar a 30 anos.
O governo brasileiro ainda deve regulamentar detalhes como a distribuição de cotas de exportação entre os países do Mercosul.
A CNI e suas congêneres no Mercosul vão criar, em parceria com a BusinessEurope, um comitê do setor privado para monitorar e apoiar a implementação do acordo. A iniciativa vai apoiar as empresas na adaptação ao novo ambiente de negócios e na identificação de oportunidades concretas.
“O fortalecimento da competitividade doméstica será determinante para maximizar os ganhos do acordo. Medidas voltadas à redução do custo Brasil, à melhoria da infraestrutura, ao estímulo à inovação e ao aumento da produtividade continuarão decisivas para que a indústria brasileira amplie sua presença no mercado europeu”, pontua a CNI.







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