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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciou nesta quarta-feira (29) um corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros, que passou de 14,75% para 14,50% ao ano. A decisão foi unânime entre os membros do colegiado e já era amplamente esperada pelo mercado.
Apesar do corte confirmado, o comunicado divulgado pelo BC adotou um tom mais cauteloso do que o observado na reunião anterior. Para analistas, a decisão foi “dovish” (branda), mas a mensagem foi “hawkish” (dura).
A deterioração das projeções
O principal motivo para o tom de cautela foi a piora significativa das projeções de inflação do Banco Central. Segundo o comunicado, as perspectivas para a inflação se deterioraram, com dados correntes e projeções “distanciando-se adicionalmente da meta para a inflação”.
As novas estimativas do BC para o IPCA são:
- 2026: subiu de 3,9% para 4,6%
- 2027 (horizonte relevante da política monetária): subiu de 3,3% para 3,5%
A meta de inflação é de 3,0% ao ano, com teto de 4,5%. A projeção para 2026 já supera esse limite.
A guerra no Oriente Médio como fator de risco
O Copom destacou que os conflitos no Oriente Médio adicionaram um alto nível de incerteza às perspectivas econômicas. O comunicado mencionou, pela primeira vez, a preocupação com os “potenciais impactos de segunda ordem de restrições de oferta de petróleo e seus derivados” sobre as expectativas de inflação de médio prazo.
Na véspera da decisão, o petróleo tipo Brent chegou a se aproximar de 119 dólares o barril, reflexo da escalada das tensões na região . A guerra entre EUA e Irã já dura nove semanas.
Especialistas alertam que, se o conflito se prolongar, a inflação de alimentos pode atingir patamares similares aos observados durante a guerra entre Rússia e Ucrânia, quando chegou a 14% no Brasil.
O que vem depois?
O grande debate agora é sobre o ritmo e a extensão dos próximos cortes. O Copom não ofereceu um “forward guidance” claro sobre os próximos passos. Ao contrário da reunião anterior, não houve sinalização sobre o ritmo ou a duração do ciclo de cortes.
O comunicado afirmou apenas que o Comitê julgou apropriado “dar sequência” ao processo de calibração da política monetária, sem comprometer-se com novas reduções. A decisão sobre o ritmo (0,25 ou 0,50 ponto por reunião) dependerá do fluxo de novas informações, especialmente sobre “a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio”.
Projeções do mercado para o fim de 2026:
- XP Investimentos: Selic em 13,50% (cortes de 0,50 ponto em junho e agosto)
- Banco Inter: Selic em 12,75%
- Itaú BBA: evita projetar nível, condicionando à evolução dos dados
A ata da reunião, que será divulgada na próxima semana, deverá trazer mais elementos sobre a visão dos diretores do BC e as condições para os próximos passos da política monetária.






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