Ataque de EUA e Israel ao Irã mata líder supremo e escancara risco de escalada global

Morte do líder supremo aprofunda crise no Oriente Médio e acende alerta sobre preço do petróleo e as relações geopolíticas

Foto: rarrarorro/iStock

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Estados Unidos e Israel realizaram um ataque coordenado contra o Irã no último sábado (28), resultando na morte do líder supremo Ali Khamenei. O governo americano justificou a ação como necessária para conter o programa nuclear iraniano (uma ameaça que Teerã sempre negou, sustentando que sua tecnologia tem fins pacíficos).

Irã respondeu com mísseis contra alvos em Israel e países vizinhos que abrigam bases americanas. O tráfego no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, foi paralisado. Navios foram atacados, e seguradoras já cancelaram apólices na região.

O que isso significa para o mundo

preço do petróleo já disparou: o barril do Brent chegou a US$ 82, alta de 13% na abertura dos mercados . Analistas do Barclays elevam projeção para US$ 100 se o conflito se prolongar. A Opep+ tenta conter com aumento de produção, mas especialistas duvidam que baste se o fluxo for interrompido.

Mais do que combustível, o risco é de inflação global. Petróleo mais caro pressiona alimentos, indústria e cadeias de produção, e bancos centrais podem rever cortes de juros.

O Brasil no fogo cruzado

O país está numa posição delicada pois o Irã é membro pleno dos BRICS (bloco que o Brasil integra com China e Rússia, aliados de Teerã) desde 2024. Ao mesmo tempo, o governo negocia pautas comerciais com os EUA, e Lula tem encontro marcado com Trump para março.

Paralelamente, a reunião de chanceleres dos BRICS, que ocorreria nesta semana, foi adiada por tempo indeterminado. A decisão reflete o desconforto dos membros do bloco (especialmente Brasil e China) em discutir pautas de cooperação econômica enquanto um de seus integrantes está em guerra aberta com os EUA.

Há ainda interesses concretos: o Irã é o 31º destino das exportações brasileiras, com US$ 2,9 bilhões em vendas de milho e soja em 2025. Ou seja: um agravamento do conflito pode dificultar embarques e afetar setores específicos do agro.

O Itamaraty condenou os ataques e pediu contenção. No WhatsApp brasileiro, porém, a guerra já virou capítulo da disputa eleitoral: bolsonaristas comemoram a morte de Khamenei como derrota de um aliado de Lula; a esquerda enquadra a ação como imperialismo norte-americano.

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