Brasil e Alemanha fecham acordo estratégico para minerais críticos e terras raras

Parceria prevê cooperação em pesquisa, inovação industrial e financiamento para agregar valor à produção brasileira

Foto: Ricardo Stuckert/PR

Foto: Ricardo Stuckert/PR

O Brasil e a Alemanha assinaram nesta segunda-feira (20), em Hannover, uma declaração conjunta de intenções para ampliar a cooperação científica e tecnológica na área de minerais críticos e estratégicos, considerados essenciais para a transição energética e o desenvolvimento de tecnologias emergentes.

O ato foi firmado durante visita oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que se reuniu com o chanceler federal do país europeu, Friedrich Merz.

O acordo, firmado entre o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) do Brasil e o Ministério Federal da Pesquisa, Tecnologia e Espaço da Alemanha, estabelece as bases para intensificar ações conjuntas em pesquisa, desenvolvimento e inovação ao longo de toda a cadeia produtiva desses insumos.

O que são minerais críticos

Os minerais críticos são elementos essenciais para tecnologias modernas, defesa e transição energética, como fabricação de baterias, painéis solares e turbinas, cuja oferta enfrenta riscos de escassez ou dependência de poucos fornecedores.

O Brasil está entre as maiores reservas dessas matérias-primas no planeta. O assunto foi mencionado por Lula em declaração a jornalistas após o encontro bilateral com Merz. O presidente brasileiro enfatizou a necessidade de que a exploração dos minerais não seja apenas a venda da matéria-prima.

O que prevê o acordo

Pelo acordo de cooperação, também citado por Merz na declaração à imprensa, Brasil e Alemanha prometem expandir ainda mais a pesquisa, o desenvolvimento e a inovação nas áreas de exploração, extração e processamento de minerais críticos, como terras raras e outros metais e minerais.

Entre os compromissos firmados:

  • Apoio à inovação, em particular por pequenas e médias empresas em ambos os países.
  • Início de projetos conjuntos de pesquisa, desenvolvimento e inovação para a gestão responsável de minerais críticos.
  • Intercâmbio de cientistas e pessoal técnico de pós-graduação.
  • Um novo programa bilateral de financiamento direto às instituições e empresas nacionais dos dois países deverá ser elaborado ainda em 2026.

Outros acordos bilaterais

Brasil e Alemanha também assinaram outros 14 atos conjuntos, incluindo cooperação em inteligência artificial (com foco em governo digital e aplicações industriais), combate a crimes ambientais, defesa, pesquisa aeroespacial, tecnologias quânticas e economia circular.

A Alemanha também confirmou um aporte de 500 milhões de euros (cerca de R$ 2,94 bilhões) ao Fundo de Combate às Mudanças Climáticas do Brasil, operacionalizado pelo BNDES.

A parceria estratégica

Em sua segunda viagem oficial à Alemanha no atual mandato, Lula foi recebido com honras militares em Hannover. O Brasil é um dos poucos países com quem a Alemanha tem um acordo de parceria estratégica, considerado o mais alto grau de relação diplomática entre países.

O Brasil foi o país parceiro da Hannover Messe, a maior feira industrial do mundo, o que não acontecia desde 1980. Lula discursou na abertura do evento e participou de um encontro com empresários brasileiros e alemães, em que enfatizou as oportunidades no setor de biocombustíveis.

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