Foto: Ricardo Stuckert/PR
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente sul-coreano Lee Jae Myung assinaram nesta segunda-feira (23) dez acordos de cooperação em áreas como comércio, minerais críticos, saúde, tecnologia e combate ao crime organizado. A visita de Estado a Seul (a primeira de um presidente brasileiro com esse status diplomático) elevou a relação bilateral ao patamar de “parceria estratégica” e estabeleceu um plano de ação para os próximos quatro anos.
O encontro também destravou as negociações do acordo comercial entre a Coreia do Sul e o Mercosul, paralisadas desde 2021. Lee Jae Myung reiterou a importância de retomar as tratativas, e Lula concordou. “Há amplo espaço para cooperação em segmentos de alta tecnologia, como semicondutores e inteligência artificial”, afirmou o presidente brasileiro.
O que está na mesa
Os acordos assinados cobrem um leque variado de setores:
- Minerais críticos e transição energética: cooperação para exploração e processamento de insumos estratégicos para a indústria de alta tecnologia;
- Carne bovina: Lula expôs a Lee a importância da conclusão dos procedimentos sanitários para liberar a exportação ao mercado coreano;
- Tecnologia: parcerias em semicondutores, inteligência artificial e inovação industrial;
- Cultura e economia criativa: incentivo ao intercâmbio nos setores de audiovisual, beleza e cosméticos, áreas em que a Coreia tem presença global consolidada;
- Saúde, agricultura e segurança: cooperação em políticas públicas e combate ao crime organizado transnacional.
Relação comercial Brasil/Coreia
A Coreia do Sul é o quarto maior parceiro comercial do Brasil na Ásia e o 13º no ranking global. Em 2025, o comércio bilateral somou US$ 10,8 bilhões, com superávit de US$ 174 milhões para o lado brasileiro. Desde 2024, o país asiático anunciou cerca de US$ 8,8 bilhões em investimentos no Brasil, concentrados na indústria de transformação.
O fluxo de pessoas também cresce. O turismo brasileiro na Coreia do Sul aumentou 25% nos últimos anos, impulsionado pela popularidade do k-pop, dos doramas e da cultura coreana em geral, um fenômeno que também tem reflexos comerciais, com a demanda por produtos de beleza e cosméticos inspirados na “K-beauty”.
O contexto geopolítico
A visita a Seul insere-se em uma estratégia mais ampla do governo brasileiro de ampliar a presença na Ásia e diversificar parceiros comerciais, reduzindo a dependência de grandes mercados tradicionais. Lula já havia se encontrado com Lee Jae Myung duas vezes no ano passado (no G7, no Canadá, e no G20, na África do Sul) e a afinidade entre os dois presidentes, segundo interlocutores do Itamaraty, ficou “clara e evidente” desde o primeiro contato.
Em declaração à imprensa, Lula também conectou as trajetórias políticas recentes dos dois países: “Nos anos oitenta, após longos períodos de luta e resistência, conquistamos a redemocratização. Quatro décadas depois, enfrentamos novamente tentativas de golpe de Estado. Felizmente, quando colocadas à prova, nossas democracias mostraram firmeza e resiliência.”







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