Foto: AnnaStills/iStock
A Copa do Mundo de 2026 está mostrando uma mudança profunda no perfil dos grandes anunciantes da televisão brasileira. Pela primeira vez, gigantes da tecnologia e da inteligência artificial ocupam espaço de destaque no principal evento esportivo para o país, ao lado de marcas tradicionais como bancos e cervejarias.
A Globo fechou 25 acordos de patrocínio para a cobertura do Mundial, com faturamento estimado em R$ 2 bilhões. A lista de anunciantes inclui três nomes que simbolizam a nova onda de investimento publicitário: a OpenAI (dona do ChatGPT), a Apple e a Amazon.
OpenAI estreia na TV brasileira
A OpenAI, que nunca havia patrocinado um projeto comercial na TV aberta do Brasil, pagou cerca de R$ 60 milhões para integrar a cobertura da Copa. A empresa de inteligência artificial tem usado o evento para popularizar o ChatGPT e se posicionar como canal estratégico para anunciantes.
O movimento da OpenAI no Brasil replica a estratégia que a empresa já adota nos Estados Unidos, onde patrocinou o Super Bowl em 2025 e 2026. No Brasil, a companhia também fez uma parceria com o Lollapalooza para tornar o ChatGPT o guia oficial do festival.
A Globo estruturou a cobertura em um ecossistema multiplataforma que integra TV aberta, canais pagos (SporTV), streaming (Globoplay) e portais digitais (GE). O modelo permitiu que as marcas alcançassem diferentes perfis de audiência, do telespectador ocasional ao fã fanático por futebol.
A emissora mobilizou uma equipe de mais de 500 profissionais para cobrir a Copa, sendo 120 enviados especiais aos países-sede (Estados Unidos, Canadá e México). A operação envolve mil horas de transmissão ao vivo, com 54 partidas exibidas pela TV Globo e SporTV.
A disputa entre Globo e concorrentes
Do outro lado da disputa, o consórcio entre SBT e N Sports conseguiu fechar com 12 patrocinadores nacionais. A entrada da Betnacional elevou para 12 o número de marcas parceiras do projeto, que transmitirá 32 confrontos da competição.
A Globo, no entanto, abriu vantagem esmagadora sobre a concorrência, com mais que o dobro de marcas parceiras. A emissora vendeu todas as suas cotas de publicidade principais antes do início do torneio.
O papel da TV 3.0
A Copa de 2026 também serve como plataforma para o lançamento oficial da DTV+ (TV 3.0), tecnologia que combina a transmissão tradicional via radiodifusão com a conectividade da internet. A novidade permite experiências interativas, como estatísticas em tempo real, múltiplos ângulos de câmera e som imersivo.
Inicialmente, as funcionalidades estão disponíveis em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, para telespectadores com equipamentos compatíveis com o novo padrão. A implantação nacional ocorrerá de forma gradual nos próximos anos.
Para a Associação das Emissoras de Radiodifusão do Paraná, a TV 3.0 representa um passo decisivo para a modernização da radiodifusão brasileira. Em comunicado, a entidade afirmou que a nova tecnologia reforça a relevância dos meios de comunicação abertos em um cenário cada vez mais competitivo.






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