Correios registram prejuízo de R$ 3,1 bi no primeiro trimestre de 2026

Rombo é 82,3% maior que o do mesmo período de 2025 e agrava crise histórica da estatal; empresa aposta em plano de reestruturação para voltar ao azul em 2027

Foto: Leila Melhado/iStock

Foto: Leila Melhado/iStock

Os Correios registraram um prejuízo líquido de R$ 3,158 bilhões no primeiro trimestre de 2026, um aumento significativo em relação ao rombo de R$ 1,725 bilhão apurado no mesmo período do ano anterior. O resultado foi divulgado pela estatal neste fim de semana.

Em todo o ano de 2025, o prejuízo foi de R$ 8,5 bilhões, e a previsão para 2026 é de um resultado ainda pior nas contas, segundo cálculos da própria estatal.

Apesar do rombo, lucro bruto mostra melhora operacional

Apesar do resultado final negativo, a estatal conseguiu apresentar um lucro bruto de R$ 153,4 milhões, revertendo o prejuízo bruto registrado no início de 2025, o que indica uma melhora na margem operacional direta antes do impacto de despesas administrativas e financeiras.

O relatório contábil da instituição atribui esse desempenho a fatores estruturais e de mercado. A empresa vem enfrentando uma redução persistente nas receitas de serviços postais tradicionais, somada ao acirramento da concorrência em segmentos logísticos mais rentáveis, como o e-commerce.

O que pesou no balanço

  • Despesas gerais e administrativas saltaram de R$ 1,22 bilhão para R$ 2,27 bilhões na comparação anual. O aumento foi impulsionado por reajustes salariais, pressões inflacionárias e, de forma acentuada, pela revisão de provisões relacionadas a processos judiciais trabalhistas, cíveis e fiscais.
  • Resultado financeiro negativo de R$ 636,9 milhões, impactado pelo custo de encargos e comissões de dívidas contraídas para garantir a liquidez da operação.
  • Manutenção da capilaridade da rede: os Correios destacam o custo de cumprir a obrigação legal de universalização dos serviços postais, que exige presença em localidades remotas com baixa rentabilidade.

Medidas para conter a crise

Para estancar o rombo e buscar o reequilíbrio fiscal, com a meta interna de voltar a operar no azul, a diretoria da estatal elaborou um plano de reestruturação focado em três frentes: corte de despesas com pessoal e administração, otimização de ativos e renegociação e captação de recursos.

Entre as medidas anunciadas estão:

  • Tomada de empréstimos bilionários;
  • Plano de demissão voluntária (PDV);
  • Reformulação do plano de saúde dos funcionários;
  • Fechamento de pontos deficitários;
  • Venda de imóveis;
  • Revisão de contratos

A empresa realizou a quitação antecipada de empréstimos com custos elevados e substituiu essas dívidas por uma nova operação de longo prazo com garantia da União, visando aliviar a pressão sobre o caixa no curto prazo.

Histórico de prejuízos

O último ano da estatal com primeiro trimestre no azul foi em 2022, quando foi registrado um lucro de R$ 216,7 milhões. Nos primeiros trimestres dos anos seguintes, os resultados foram de déficit: R$ 328 milhões em 2023; R$ 801 milhões em 2024; R$ 1,7 bilhão em 2025; e agora R$ 3,1 bilhões em 2026.

A consolidação dos resultados positivos do plano de reestruturação, entretanto, permanece sujeita ao cumprimento das metas de modernização e à estabilidade do ambiente econômico. Os Correios projetam chegar a um superávit somente em 2027.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *