Foto: Nidas Kiuberis/iStock
O Estreito de Ormuz registrou o fluxo mais intenso de navios desde o início da guerra no Oriente Médio. Dados da MarineTraffic analisados pela CNN mostram que pelo menos 24 embarcações comerciais transitaram pelo estreito em um período de 24 horas na última segunda-feira (22), no maior volume desde o início do conflito, em fevereiro.
Entre as embarcações, havia oito navios-tanque e dois navios de carga saindo do Golfo Pérsico, além de oito navios-tanque e seis navios de carga entrando na região. Segundo a Kpler, 19 petroleiros passaram por Ormuz no sábado (20) e 14 no domingo (21).
A retomada do tráfego ocorreu após o acordo preliminar entre Estados Unidos e Irã, assinado em 17 de junho, que incluiu a reabertura do estreito como um dos pontos centrais. Os EUA também anunciaram uma isenção de sanções válida até 21 de agosto, aliviando preocupações sobre o abastecimento global de petróleo e pressionando os preços para baixo.
Os números da retomada
- 24 embarcações cruzaram o estreito em 24 horas.
- 20 milhões de barris de petróleo bruto transportados entre sexta e domingo.
- 6 milhões de barris de petróleo iraniano cruzaram na segunda-feira (22).
- 4 navios de GNL do Catar também atravessaram.
Os desafios que seguem
Apesar do alívio, o fluxo ainda está muito abaixo do nível pré-guerra, quando cerca de 110 a 140 embarcações cruzavam o estreito diariamente. Analistas afirmam que a normalização pode levar semanas ou até meses, e as empresas de navegação seguem cautelosas diante dos riscos persistentes.
O Centro Conjunto de Informações Marítimas, liderado pela Marinha dos EUA, alertou que o “ambiente operacional permanece de alto risco com base nos recentes ataques a navios na área“. Associações do setor também emitiram orientações apontando para o risco de ataques, drones, minas e congestionamento imprevisível.
Mesmo que um acordo seja assinado, executivos do setor petrolífero e especialistas estimam que a normalização pode levar muitos meses: o CEO da Saudi Aramco afirmou que “levaria meses para o mercado se reequilibrar” mesmo com a reabertura imediata. O processo de desminagem ainda está incompleto, e o Lloyd’s de Londres mantém prêmios de risco elevados para travessias pelo estreito.
O que esperar
O mercado já reagiu: o petróleo Brent opera abaixo de US$ 75, refletindo o aumento da oferta e a redução do prêmio de risco geopolítico. Analistas acreditam que mais cargas de petróleo bruto retidas no Golfo desde o início da guerra devem sair agora, com a isenção concedida pelos EUA.
A tendência é que o fluxo continue a aumentar, se o acordo de paz se mantiver. Mas a recuperação completa, segundo especialistas, pode levar até 2027, com os danos à infraestrutura energética da região exigindo reparos que podem levar anos.






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