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A atividade do setor privado da zona do euro encolheu pela taxa mais rápida em 18 meses em maio. O Índice de Gerentes de Compras (PMI) Composto da S&P Global caiu para 48,5, de 48,8 em abril, a leitura mais baixa desde novembro de 2024.
Uma leitura abaixo de 50,0 indica contração. É o segundo mês consecutivo de queda da atividade econômica no bloco.
Os números da desaceleração
A deterioração se concentrou nas duas maiores economias do bloco. Alemanha e França registraram contrações na atividade do setor privado, enquanto Itália e Espanha tiveram expansões marginais.
Indicadores de demanda:
- Novos pedidos totais caíram pelo terceiro mês consecutivo;
- Pedidos de exportação tiveram a maior queda no ano;
- Serviços foram o principal vetor da contração.
Em nota divulgada pela S&P Global, o economista-chefe da instituição, Chris Williamson, afirmou que os dados do PMI indicam uma contração trimestral de 0,2% no PIB da zona do euro no segundo trimestre.
Inflação volta a subir com guerra no Oriente Médio
O conflito no Oriente Médio tem pressionado os preços da energia, o que se refletiu nos índices de inflação. Os custos de insumos aumentaram no ritmo mais acentuado em três anos e meio. Os preços cobrados dos clientes atingiram o maior patamar em 38 meses.
A inflação de maio na zona do euro saltou para 3,2%, bem acima da meta de 2% do Banco Central Europeu (BCE). Uma nova alta é esperada nos próximos meses, já que a guerra continua a pressionar os preços dos combustíveis.
A alta dos custos de energia está afetando diretamente a renda disponível das famílias europeias, reduzindo sua capacidade de consumo e aprofundando a desaceleração econômica.
Mercado de trabalho começa a sofrer
O emprego no setor privado europeu também mostrou sinais de deterioração. As empresas cortaram postos de trabalho pelo quinto mês consecutivo, no ritmo mais acelerado desde novembro de 2020.
As empresas de serviços reduziram o número de funcionários pela primeira vez desde o início de 2021, num claro sinal de que os efeitos da guerra e da inflação começam a se espalhar para além da indústria.
A confiança dos empresários caiu para o menor nível em 32 meses.
Próximos passos do BCE
A combinação de inflação elevada e atividade fraca coloca o Banco Central Europeu em um dilema. Em maio, o BCE deixou as taxas inalteradas, mas discutiu amplamente um aumento para combater a inflação crescente.
Economistas agora apontam a reunião de junho (10-11) como decisiva. Os mercados precificam com alta probabilidade um aumento de 0,25 ponto percentual, elevando a taxa de juros do BCE para 2,25%.
O economista Chris Williamson resumiu o cenário de estagflação que se desenha na Europa: o bloco enfrenta ao mesmo tempo uma contração da atividade e uma aceleração da inflação. “Os dados do PMI indicam um declínio trimestral de 0,2% no PIB, salvo qualquer mudança significativa em junho”, afirmou.
A preocupação é que os preços continuem subindo mesmo com a economia parada, um cenário de difícil administração para os bancos centrais.






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