Focus: inflação de 2026 sobe pela nona semana consecutiva

Projeção para o IPCA deste ano acumula nove altas consecutivas e segue acima do teto da meta de 4,50%; para 2027, mercado elevou estimativa da Selic de 11% para 11,25%

Foto: Diego Grandi/iStock

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O Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (11) pelo Banco Central trouxe a nona alta seguida nas projeções para a inflação de 2026. A mediana das expectativas para o IPCA subiu de 4,89% para 4,91%.

O movimento reflete a escalada das incertezas com a guerra no Oriente Médio, que provocou uma disparada nos preços do petróleo. O barril do Brent operava acima de US$ 104 por barril na manhã desta segunda-feira.

As novas projeções do Focus

  • IPCA 2026: subiu de 4,89% para 4,91% (nona alta consecutiva)
  • IPCA 2027: manteve-se em 4,00% (estável)
  • Selic 2026: manteve-se em 13,00% ao ano
  • Selic 2027: subiu de 11,00% para 11,25% ao ano
  • Dólar 2026: caiu de 5,25 reais para 5,20 reais
  • PIB 2026: mantido em 1,85%

Teto da meta foi ultrapassado; guerra ainda preocupa

A meta de inflação é de 3,00% ao ano, com teto de 4,50%. Com a nova projeção de 4,91%, o mercado vê a inflação superando o limite superior pelo terceiro mês consecutivo. Desde 2025 a meta passou a ser contínua, com base no IPCA acumulado em 12 meses. Se a inflação ficar fora do intervalo por seis meses consecutivos, considera-se que o Banco Central perdeu o alvo.

A guerra no Oriente Médio segue no centro das preocupações. Trump rejeitou no domingo (10) a proposta de paz apresentada pelo Irã, mantendo o Estreito de Ormuz (rota de 20% do petróleo mundial) como ponto central de tensão. O petróleo elevado pressiona os preços dos combustíveis e contamina toda a cadeia produtiva.

Mesmo após a revisão das estimativas do Copom na reunião de abril (que subiu a projeção para o IPCA de 2026 de 3,9% para 4,6%), a trajetória prevista pelo mercado segue acima da esperada pelo BC.

Os juros em 2027 e o que esperar

Embora a projeção para a Selic em 2026 tenha sido mantida em 13,00% (a taxa atual é de 14,50%), o mercado elevou a estimativa para 2027 de 11,00% para 11,25% ao ano. O mercado segue vendo novo corte de 0,25 ponto percentual na reunião de junho do Copom.

A nona alta consecutiva indica que o mercado não vê alívio nos preços tão cedo, com o conflito no Oriente Médio como principal vetor de pressão. A meta de inflação parece cada vez mais distante, e o Banco Central terá trabalho para reconduzir as expectativas dentro do intervalo tolerável.

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