Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
Em evento do BTG Pactual em São Paulo, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, fez uma comparação para explicar a postura da autoridade monetária neste momento de virada no ciclo de juros. “O Banco Central está mais para um transatlântico do que para um jet ski. Ele não pode fazer grandes movimentos e mudanças”, afirmou. A metáfora resume a estratégia do Copom: movimentos comedidos, previsíveis e baseados em dados, não em reações abruptas a ruídos de curto prazo.
Galípolo reforçou que a palavra-chave do momento é “calibragem”. Em janeiro, o Copom manteve a Selic em 15% ao ano pela quinta vez seguida, mas sinalizou que pode iniciar os cortes em março, “em se confirmando o cenário esperado”. O presidente do BC justificou a espera de 45 dias: “A atitude do Copom foi ser mais conservador para que a gente possa iniciar esse ciclo com maior confiança” .
O que o BC está monitorando
Galípolo listou os fatores que estão no radar da autoridade monetária para decidir o ritmo e a magnitude do afrouxamento:
- Inflação em queda, mas ainda acima da meta: O mercado reduziu a projeção para o IPCA de 2026 a 3,95% pela sexta semana seguida, segundo o Focus . Apesar da melhora, as expectativas seguem desancoradas do centro de 3%.
- Mercado de trabalho aquecido: O desemprego em níveis historicamente baixos e salários crescendo acima da produtividade são pontos de atenção, pois pressionam a inflação de serviços .
- Cenário externo incerto: A política econômica dos EUA e tensões geopolíticas exigem cautela de emergentes como o Brasil .
- Ano eleitoral: Galípolo admite que “há a fonte de incerteza que é inerente e própria de um ano de eleição”, mas garante que a política monetária seguirá técnica.
“Serenidade” e a nova fase do BC
O presidente do BC destacou que os termos usados no último comunicado (“serenidade” e “parcimônia”) não representam mudança na estratégia, mas sim o reconhecimento de que a política monetária entrou em uma nova fase. “A gente vai consumir os dados e encarar os dados com serenidade”, disse .
Para além do curto prazo, Galípolo sinalizou que a palavra que norteará o BC nos próximos anos será “estabilidade”, tanto monetária quanto financeira. Ele defendeu ainda o aperfeiçoamento regulatório, citando mudanças nas regras do FGC após a crise do Banco Master, e elogiou a atuação da Polícia Federal nas investigações.







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