Ibovespa tem pior sequência em 54 anos: oito semanas seguidas de queda

Índice acumula perda de mais de 15% desde a máxima histórica de abril, quando chegou perto dos 200 mil pontos; dólar dispara e mercado precifica juros altos nos EUA por mais tempo

Foto: peshkov/iStock

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O Ibovespa fechou a última semana em queda de 0,77%, aos 169.019 pontos, consolidando a oitava semana consecutiva de baixa do índice. Trata-se da maior sequência negativa desde 1972, quando o movimento se estendeu por dez semanas.

No pior momento do dia, o índice chegou a tocar os 168.910 pontos, mas conseguiu devolver parte das perdas na reta final do pregão. A marca simbólica dos 170 mil pontos foi perdida, algo que não acontecia desde janeiro deste ano.

Do rali ao tombo em poucas semanas

Há cerca de três meses, o mercado discutia até onde os juros poderiam cair. Hoje, a pergunta é outra: por quanto tempo eles permanecerão elevados.

Entre uma discussão e outra, o Ibovespa saiu de uma alta acumulada de 16,35% no primeiro trimestre para a pior sequência de perdas em mais de cinco décadas. No auge, em meados de abril, o índice chegou a renovar recorde intradiário aos 199.354 pontos, aproximando-se pela primeira vez da marca simbólica dos 200 mil pontos.

Desde então, o tombo já ultrapassa 15%, e os ganhos acumulados no ano encolheram de 23% para pouco mais de 5%.

O que está por trás da virada

A sequência negativa foi impulsionada por uma combinação de fatores. O principal gatilho foi o relatório de empregos dos Estados Unidos, que mostrou a criação de 172 mil vagas em maio, número bem acima das estimativas, que giravam entre 80 mil e 85 mil postos.

Em condições normais, um mercado de trabalho forte é uma boa notícia. Mas, no cenário atual, o dado reacendeu o temor de que a inflação americana siga resistente, obrigando o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) a manter os juros elevados por mais tempo.

A consequência foi direta: os rendimentos dos títulos do governo americano subiram, o dólar disparou (fechando a R$ 5,155, na maior cotação desde 2 de abril) e o apetite por ativos de risco, como as bolsas de países emergentes, caiu.

A guerra no Oriente Médio, com novos ataques entre Irã e Israel no fim de semana, também ampliou a aversão a risco e manteve o petróleo pressionado.

A virada do humor no mercado

A mudança de humor entre os investidores ficou clara nas projeções para os juros americanos. A probabilidade de o Fed aumentar a taxa em dezembro subiu para 65%, ante 48% antes da divulgação dos números de emprego.

No Brasil, o movimento também apareceu nos preços. Os juros futuros subiram, o dólar ganhou força e as ações sofreram, com destaque para as blue chips de commodities: Vale caiu mais de 3% na semana, pressionada pelo recuo do minério de ferro. Já as ações ligadas a bancos tiveram desempenho misto: Bradesco subiu 0,58%, enquanto Banco do Brasil caiu 1,84%.

O que esperar

Pelo gráfico do Ibovespa, o índice já opera em região de sobrevenda, o que pode abrir espaço para algum repique técnico. Para uma recuperação mais consistente, seria necessário superar a faixa de 173 mil a 178 mil pontos. Por outro lado, a perda do suporte em 168,9 mil pontos pode ampliar o movimento de baixa, abrindo caminho para os 164 mil pontos.

A semana promete ser decisiva para os mercados, com investidores monitorando de perto os sinais do Federal Reserve e os desdobramentos geopolíticos no Oriente Médio.

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