Foto: Diego Grandi/iStock
O Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (13) pelo Banco Central trouxe uma forte alta nas projeções de inflação para 2026. A mediana para o IPCA subiu pela quinta semana consecutiva, passando de 4,36% para 4,71% . Com isso, a expectativa do mercado ultrapassa o teto da meta de 4,5% pela primeira vez no ano.
O centro da meta oficial de inflação é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. O limite superior é de 4,5%.
Cinco semanas de alta
A trajetória de alta das projeções começou em meados de março, com o início da guerra no Oriente Médio. Antes do conflito, os analistas projetavam inflação abaixo de 4% para 2026 . Desde então, foram cinco semanas seguidas de elevação.
O movimento reflete diretamente a disparada do petróleo e o fechamento do Estreito de Ormuz, que pressionam os preços de combustíveis e se espalham por toda a cadeia produtiva. O Brasil importa cerca de 30% do diesel que consome, o que torna a economia doméstica vulnerável aos choques externos .
O dado de março que acendeu o alerta
Na sexta-feira (10), o IBGE divulgou o IPCA de março com alta de 0,88%, bem acima dos 0,70% de fevereiro e do teto das expectativas do mercado. A inflação foi puxada por transportes (com destaque para a gasolina, que subiu 4,59%) e alimentação (leite longa vida +11,74%, tomate +20,31%).
Com isso, o IPCA acumulado em 12 meses saltou de 3,81% para 4,14%. Foi a maior inflação para um mês de março desde 2022.
O que o mercado espera para os próximos anos
As projeções para os anos seguintes também foram revisadas para cima:
- 2027: subiu de 3,85% para 3,91%
- 2028: manteve-se em 3,60%
- 2029: manteve-se em 3,50%
Já para o IGP-M, a projeção para 2026 subiu para 3,86%, acumulando a sexta alta consecutiva.
Selic, PIB e dólar
Apesar da piora nas expectativas para a inflação, o mercado manteve estáveis as projeções para a taxa básica de juros e para o crescimento econômico :
- Selic (2026): mantida em 12,50% ao ano (atualmente, a taxa está em 14,75%)
- PIB (2026): mantido em 1,85%
- Dólar (2026): recuou de R$ 5,40 para R$ 5,37
A Selic mais baixa para o fim do ano indica que o mercado ainda espera cortes de juros ao longo de 2026, mas o ritmo e a intensidade desses cortes estão sob revisão. Na última reunião do Copom, em março, o Banco Central reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, um corte menor do que o esperado antes da guerra, que era de 0,5 ponto.
O que esperar
O próximo encontro do Copom para definir a Selic será nos dias 28 e 29 de abril. A guerra no Oriente Médio segue sendo o principal fator de incerteza. No fim de semana, as negociações de paz entre EUA e Irã fracassaram, e os EUA ameaçam impor um bloqueio naval aos portos iranianos. O petróleo voltou a subir acima de US$ 100 o barril.
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou recentemente que o “conservadorismo” da política monetária busca ganhar tempo para avaliar os efeitos da alta do petróleo sobre a inflação doméstica. “Estamos entendendo e vamos aprender mais daqui até a próxima reunião do Copom”, disse.







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