Foto: Konstantin Yuganov/iStock
O Carnaval de 2026 expõe uma novidade cultural na folia. De um lado, as imagens clássicas de blocos lotados e foliões tomando as ruas das grandes cidades. Do outro, um contingente expressivo da população que simplesmente ignora a festa, e os números mostram que esse grupo tem rosto e idade.
Pesquisa da AtlasIntel, realizada com 1.448 brasileiros entre 26 de janeiro e 3 de fevereiro, revela que 84,8% da Geração Z (15 a 30 anos) não gosta do Carnaval. O percentual é quase o dobro da média de rejeição entre as demais gerações (50,7%) . Entre os jovens, 48% preferem usar o feriado para descanso e descompressão mental, enquanto apenas 11% ainda associam a data à festa tradicional.
Por que os jovens estão trocando a avenida pelo quarto
Os motivos apontados pelo levantamento ajudam a entender essa mudança de comportamento:
- Aversão sensorial: 42,8% dos entrevistados citaram incômodo com multidões e música alta como fator determinante. Em uma geração que fala abertamente sobre ansiedade e sobrecarga, o caos dos bloquinhos é visto como estresse, não diversão.
- Falta de identificação cultural: 41,3% afirmaram que o Carnaval tradicional parece desconectado de sua realidade . O formato dos desfiles e trios elétricos não conversa com um consumo cultural mais fragmentado e globalizado.
- Questões financeiras: 27,9% disseram que a falta de dinheiro pesa na decisão. Com inflação acumulada e custo de vida elevado, muitos jovens preferem economizar a gastar com fantasias, bebidas e ingressos.
- Insegurança: 34,2% apontaram o medo da violência urbana como fator de afastamento. O dado dialoga com outra pesquisa, do Instituto Locomotiva, que mostra que 80% das mulheres temem sofrer assédio no Carnaval .
Onde a rejeição é maior
Regionalmente, o Sul se consolida como “reduto anti-folia”: 64,2% dos moradores da região afirmam detestar o Carnaval e tentar fugir das aglomerações . A cultura sulista, com festas como a Oktoberfest e a Festa da Uva, compete pela atenção e identificação dos jovens locais.
Na outra ponta, Norte e Sudeste concentram os maiores índices de aprovação, ainda que minoritários: 13,3% e 12%, respectivamente, afirmam amar a festa .
O que muda para marcas e eventos
O fenômeno acende um alerta para organizadores, patrocinadores e marcas que investem milhões no Carnaval esperando atingir o público jovem. Se a Geração Z não está na rua, onde ela está? A resposta aponta para o entretenimento doméstico (streaming, games) e o turismo de isolamento (casas de campo, praias tranquilas).
Especialistas monitoram se essa rejeição é definitiva ou se os jovens podem se aproximar da festa com o passar dos anos. Por enquanto, o dado é claro: o “bloquinho” da Geração Z, ao que tudo indica, é no sofá, com ar-condicionado e longe da bateria.






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