Foto: Batuhan Toker
As pausas obrigatórias para hidratação na Copa do Mundo de 2026 se tornaram um dos temas mais controversos da competição. Apresentadas oficialmente pela Fifa como uma medida para proteger a saúde dos jogadores , os intervalos de três minutos no meio de cada tempo criaram uma nova e valiosa oportunidade comercial para emissoras de televisão.
Na prática, a novidade transformou o jogo de dois tempos em quatro “quartos”, como os torcedores já perceberam. Em vez dos tradicionais 45 minutos corridos, os jogos passaram a ter interrupções obrigatórias por volta dos 23 minutos de cada etapa.
O tamanho do negócio
Nos Estados Unidos, a Fox, detentora dos direitos de transmissão da Copa, está cobrando entre US$ 200 mil e US$ 300 mil por comerciais de 30 segundos durante as pausas, com valores chegando a US$ 750 mil dólares em jogos decisivos ou da seleção americana.
Com 104 partidas previstas e duas pausas obrigatórias por jogo (resultando em 832 espaços comerciais exclusivos) a arrecadação pode ultrapassar US$ 250 milhões (cerca de R$ 1,3 bilhão) apenas nos EUA. A emissora pagou 485 milhões de dólares pelos direitos de transmissão do torneio, o que significa que as pausas estão cobrindo mais da metade do valor investido.
Segundo especialistas, quando se amplia o cálculo para todos os países onde as emissoras estão usando os intervalos para publicidade, o valor total arrecadado pode chegar a US$ 1 bilhão. A estimativa é que a Fox possa faturar ainda mais do que os US$ 800 milhões arrecadados com o Super Bowl do ano passado.
Críticas e defesas
A medida gerou reações negativas em diversos setores. Torcedores têm vaiado as pausas em vários estádios e jogadores como o capitão holandês Virgil van Dijk manifestaram desconforto: “Toda vez que vai para o comercial, não é algo que eu realmente goste. Acho que para os espectadores na TV também não é ótimo”.
O técnico uruguaio Marcelo Bielsa foi um dos críticos mais contundentes: “Jogar quatro vezes em vez de duas altera a concepção e a cultura que foram construídas para interpretar o futebol. Essa mudança de cultura não acrescenta nada e tira muito”.
Por outro lado, alguns treinadores enxergam valor tático nos intervalos. O técnico da França, Didier Deschamps, afirmou que a pausa é uma oportunidade para conversar com os jogadores e ajustar algumas coisas antes do reinício . O técnico da Bélgica, Rudi Garcia, também elogiou: “Para mim, é mais uma pausa para orientação do que para refresco”.
Futuro das pausas
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, defendeu a medida e afirmou que as pausas podem continuar em futuras edições do torneio. Ele argumentou que a novidade contribui para a intensidade dos jogos: “Nunca vimos 90 minutos em um torneio como este jogados com tamanha intensidade”.
Especialistas apontam que a tendência veio para ficar, especialmente considerando que a Copa de 2030 será disputada no Marrocos, Espanha e Portugal, em climas com verões quentes. A Uefa, no entanto, já afirmou que não tem planos de adotar medida semelhante para a Champions League ou a Eurocopa 2028.






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