Perfumes árabes chegam ao Brasil com investimento de US$ 1 milhão e miram expansão na América Latina

Riiffs, marca fundada em Dubai em 2018, aposta em fixação superior, ingredientes como oud e preços competitivos para conquistar o terceiro maior mercado de beleza do mundo

Foto: Divulgação/Riiffs

Foto: Divulgação/Riiffs

A Riiffs, marca de perfumaria fundada em Dubai em 2018, desembarcou no Brasil com um investimento inicial de US$ 1 milhão em marketing. A empresa opera sob a Sterling Perfumes Industries, um dos maiores fabricantes de perfumaria do Oriente Médio, e já tem presença na Europa, Ásia, África e América do Norte, com faturamento global de R$ 250 milhões.

A projeção é que o Brasil responda por 10% desse faturamento já nos primeiros ciclos de operação.

Mercado em expansão

O setor de fragrâncias no Brasil movimentou US$ 1,15 bilhão em 2025, com crescimento anual de 3,6%. O país é o terceiro maior mercado de cosméticos do mundo, atrás apenas de Estados Unidos e China, e o segundo maior consumidor de perfumes globalmente, segundo a Euromonitor.

Buscas por “perfume árabe” e “oud perfume” cresceram de forma consistente ao longo do ano no Brasil, com dois picos registrados, um no fim de 2024 e outro em meados de 2025. Marcas como Lattafa e Al Haramain já figuram entre as mais vendidas do país em plataformas de e-commerce, antes mesmo de uma presença física estruturada.

Desafios e concorrência local

A marca reconhece as barreiras tributárias e a volatilidade econômica como desafios, mas mantém a meta de crescimento de dois dígitos. A concorrência não é pequena: o Grupo Boticário lidera o mercado de beleza no Brasil com 38 bilhões de reais em vendas em 2025, e a Natura mantém a liderança em perfumaria feminina.

O lançamento da Riiffs também coincide com a iminência do acordo Mercosul-União Europeia, que pode reduzir tarifas de importação de perfumes europeus em até 18% ao longo de quatro anos, o que acirraria ainda mais a concorrência no segmento premium.

O que explica a tração

Perfumes árabes trabalham com concentrações de óleos essenciais frequentemente acima de 25%, o que resulta em fixação longa e projeção marcante. Ingredientes como oud, âmbar e resinas orientais têm moléculas de evaporação lenta, entregando fragrâncias que duram o dia inteiro na pele. A estética dos frascos reforça o apelo de luxo, com designs que remetem ao universo das mil e uma noites.

Os preços são competitivos em relação a grifes de nicho ocidentais com características similares: enquanto um perfume de luxo europeu pode custar mais de R$ 800, os árabes chegam ao Brasil com valores entre R$ 180 e R$ 600, sem perder em qualidade ou fixação.

O fenômeno que começou devagar segue consolidado: a perfumaria árabe veio para ficar. A concorrência entre as marcas do Oriente Médio e os gigantes locais promete aquecer o setor nos próximos anos, com o consumidor brasileiro como grande beneficiado.

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