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Com a deterioração das expectativas para a inflação, a aposta majoritária do mercado para a reunião do Copom nos dias 16 e 17 de junho deixou de ser o corte de juros e passou a ser a manutenção da Selic em 14,50% ao ano.
A última pesquisa Focus, divulgada pelo Banco Central, mostrou que a projeção para o IPCA de 2026 subiu pela 13ª semana consecutiva, chegando a 5,11% — 0,61 ponto percentual acima do teto da meta de 4,5%.
Queda na aposta do corte
Na semana anterior, 74% dos investidores acreditavam em um novo corte de 0,25 ponto percentual, que levaria a Selic para 14,25%. Agora, esse percentual caiu para 40%. Paralelamente, o grupo que espera manutenção da taxa subiu para 60%.
A Selic atualmente está em 14,50% ao ano, patamar definido na reunião de abril, quando o Copom promoveu um corte de 0,25 ponto percentual em meio a um cenário de incertezas externas provocadas pelos conflitos no Oriente Médio.
Por que a expectativa mudou
A reversão na expectativa do mercado reflete a piora generalizada dos indicadores que orientam a política monetária. A inflação corrente segue pressionada, o mercado de trabalho continua aquecido e a guerra no Oriente Médio mantém o petróleo em patamares elevados, impactando diretamente os preços domésticos.
A própria ata da última reunião do Copom já indicava que o colegiado via riscos de desancoragem das expectativas de inflação para horizontes mais longos, especialmente diante da falta de clareza sobre a duração do conflito no Oriente Médio e seus efeitos sobre a economia global.
O que esperar da reunião
A próxima reunião do Copom será decisiva para calibrar o ritmo da política monetária nos próximos meses. Caso o colegiado opte pela manutenção, o ciclo de cortes iniciado em março terá durado apenas duas reuniões: a de março (queda de 0,25 ponto) e a de abril (queda de 0,25 ponto).
O comunicado que acompanhará a decisão deverá ser monitorado de perto pelo mercado em busca de pistas sobre os próximos passos. A incerteza sobre o comportamento do petróleo e sobre a evolução das expectativas inflacionárias deve manter o Copom em estado de alerta elevado.






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