Profissionais veem 2026 com menos otimismo do que as empresas, aponta estudo

Enquanto 95% dos empregadores globais esperam crescimento, apenas 51% dos talentos compartilham da mesma confiança, afirma Randstad

Foto: Jacob Wackerhausen/iStock

Foto: Jacob Wackerhausen/iStock

Um estudo global da Randstad, multinacional holandesa e líder global em Recursos Humanos, ouviu 27 mil talentos e 1.225 empregadores em 35 países. O resultado apontou um desalinhamento significativo de expectativas para 2026: de um lado, 95% dos empregadores esperam crescimento dos negócios. De outro, apenas 51% dos profissionais compartilham desse otimismo.

Os motivos da cautela dos trabalhadores

A postura mais cautelosa dos trabalhadores é influenciada por três fatores principais: incerteza econômica, aumento do custo de vida e impactos da inteligência artificial sobre as carreiras.

Metade dos trabalhadores (47%) teme que os benefícios da IA fiquem concentrados nas empresas, e mais de um terço (34%) demonstra preocupação com a possibilidade de seus empregos deixarem de existir nos próximos cinco anos.

O desalinhamento no Brasil

No recorte brasileiro, o desalinhamento é ainda mais expressivo. Todos os empregadores consultados no país (100%) confiam no crescimento dos negócios para 2026, enquanto 68% dos colaboradores compartilham dessa expectativa.

A percepção dos talentos no Brasil reflete um momento de profundas mudanças no mundo do trabalho, com a tecnologia avançando e o mercado passando por transformações econômicas importantes. As empresas precisam escutar mais e se antecipar para construir ambientes mais seguros e atrativos.

O paradoxo da inteligência artificial

Os profissionais também mostraram mais receptividade à IA do que os empregadores imaginam. A pesquisa revelou que:

  • 87% dos trabalhadores já usam IA no dia a dia.
  • 75% dos colaboradores se sentem confortáveis em usar ferramentas generativas de IA.
  • O principal medo é que a IA não seja justa ou cause danos não intencionais, seguido pela substituição do emprego humano e pela hipótese de a IA não ser regulamentada.

Diversidade como fator de retenção

O estudo da Randstad também reforçou a importância de políticas de diversidade e inclusão para reter talentos:

  • 54% dos funcionários deixariam o emprego se a empresa não tomasse nenhuma atitude para combater a discriminação.
  • 66% dos trabalhadores dizem que olhariam atentamente ou deixariam de aceitar uma oferta de emprego se faltasse diversidade na liderança sênior.

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