Varejo recua 1,5% em abril, mas mantém alta anual de 1%

Setor registra primeira queda no ano após três meses de alta e perde patamar recorde

Foto: Valdeci Lima/iStock

Foto: Valdeci Lima/iStock

O volume de vendas do comércio varejista brasileiro recuou 1,5% em abril na comparação com março, segundo a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) divulgada nesta terça-feira (16) pelo IBGE. A retração interrompeu uma sequência de três meses consecutivos de alta e foi a mais intensa desde setembro de 2021.

Setor ainda acumula alta no ano

Apesar da queda mensal, o comércio mantém trajetória positiva em 2026. Na comparação com abril de 2025, as vendas cresceram 1%. No acumulado do ano, o setor avança 2%, e nos últimos 12 meses a alta é de 1,5%. A receita nominal do varejo também cresceu 1,1% em abril ante março.

O gerente da pesquisa no IBGE, Cristiano Santos, destacou que o recuo ocorre sobre uma base elevada. “Os três primeiros meses, na margem, tiveram um crescimento significativo, a ponto de elevar o patamar do comércio para o nível histórico recorde”.

Queda foi generalizada

Seis das oito atividades pesquisadas tiveram retração em abril. Os principais impactos negativos vieram de:

  • Combustíveis e lubrificantes (-6,2%): puxaram a queda, refletindo o choque do petróleo após avanço de 5% em março.
  • Outros artigos de uso pessoal e doméstico (-4,6%).
  • Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-4,5%).
  • Móveis e eletrodomésticos (-0,8%): quinta queda consecutiva.

Do lado positivo, hiper e supermercados cresceram 1,3%, amortecendo a queda do indicador cheio. Livros, jornais e papelaria avançaram 1,1%.

O comércio varejista ampliado, que inclui veículos, material de construção e atacado especializado, caiu 0,7% em abril na comparação com março. Na comparação anual, no entanto, o segmento cresceu 1,4%. Veículos caíram 0,7%, e materiais de construção recuaram 3,6%.

O que esperar

Os resultados vieram piores do que as expectativas do mercado, que projetavam queda de 0,6%. A desaceleração reflete o aperto nas condições financeiras das famílias, com crédito e renda estáveis, enquanto o consumo migrou para bens essenciais. O dado será incorporado às discussões do Copom, que avalia o comportamento do consumo para calibrar o ritmo dos cortes de juros.

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