Focus: inflação de 2026 sobe e juros vão a 13,25% pela primeira vez no ano

Décima semana seguida de alta nas projeções para o IPCA, que já acumula avanço de 0,91 ponto percentual desde o início da guerra no Oriente Médio

Foto: Rmcarvalho

Foto: Rmcarvalho

O Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (18) pelo Banco Central trouxe a décima semana consecutiva de alta nas projeções para a inflação de 2026. A mediana das expectativas para o IPCA subiu de 4,91% para 4,92%.

A meta de inflação é de 3,00% ao ano, com teto de 4,50%. Com a nova projeção, o mercado vê a inflação superando o limite superior pela quarta semana seguida .

O cenário por trás dos números

A escalada das tensões no Oriente Médio segue como o principal vetor de pressão sobre os preços. O petróleo opera acima de US$ 110 por barril, impulsionado por novos ataques na região e pela fragilidade do cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã.

O movimento de alta nas projeções começou em meados de março, com o início do conflito. Naquela época, o mercado projetava inflação de 4,01% para 2026. Desde então, a estimativa já avançou 0,91 ponto percentual.

Juros sobem no radar do mercado

Pela primeira vez em 2026, o mercado elevou a projeção para a Selic no fim do ano, de 13,00% para 13,25% ao ano. Após três semanas de estabilidade, a mediana para a taxa básica de juros foi corrigida para cima, indicando que os analistas passaram a ver menos espaço para cortes ao longo do ano.

Apesar da revisão para cima na taxa esperada para o fim de 2026, o mercado ainda projeta um corte de 0,25 ponto percentual na Selic na reunião de junho do Copom, que levaria a taxa de 14,50% para 14,25% ao ano.

As outras projeções

  • IPCA 2027: mantido em 4,00% 
  • IPCA 2028: subiu de 3,64% para 3,65% 
  • Selic 2027: mantida em 11,25% 
  • PIB 2026: mantido em 1,85% 
  • PIB 2027: subiu de 1,76% para 1,77% 
  • Dólar 2026: mantido em R$ 5,20
  • Dólar 2027: caiu de R$ 5,30 para R$ 5,27 

O alerta do Copom

Na ata da última reunião, o Copom já havia sinalizado preocupação com a desancoragem das expectativas de inflação para horizontes mais longos, em particular para 2028. O colegiado afirmou que a duração do conflito até o momento “pode ter sido suficiente para materializar alguns riscos, sendo o mais evidente a desancoragem adicional das expectativas de inflação”.

Desde 2025, a meta de inflação passou a ser contínua, baseada no IPCA acumulado em 12 meses, com centro em 3% e tolerância de 1,5 ponto percentual. Caso a inflação permaneça fora do intervalo por seis meses consecutivos, considera-se que o Banco Central perdeu o alvo.

O que esperar

O Focus de hoje confirma que o mercado não vê alívio nos preços tão cedo. A décima alta consecutiva nas projeções (maior sequência desde o início da guerra) mostra que os efeitos do choque do petróleo seguem se espalhando pela economia.

Com a Selic projetada em 13,25% para o fim do ano, a janela para novos cortes de juros se estreitou. A decisão do Copom em junho será um termômetro importante para os próximos passos da política monetária.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *