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O setor de serviços brasileiro iniciou o segundo trimestre de 2026 mantendo a trajetória de expansão anual, com crescimento de 3% em março em relação ao mesmo mês de 2025. O resultado, divulgado nesta sexta-feira (15) pelo IBGE, representa o 24º avanço anual consecutivo do segmento, que responde por cerca de 70% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional.
Apesar da sequência positiva na comparação com o ano anterior, os dados mostram sinais de perda de fôlego. Na passagem de fevereiro para março, o volume de serviços recuou 1,2% na série com ajuste sazonal (a maior queda desde o início da pandemia), revertendo o patamar recorde da série histórica, alcançado no mês anterior.
O que aconteceu
O setor de serviços do Brasil avançou 3% em março. O resultado representa a 24ª alta anual consecutiva do segmento, mantendo a sequência positiva que começou em 2024. O volume de serviços cresceu 2,8% em 12 meses, a menor taxa desde outubro de 2024.
A expansão do setor contou com crescimento em 51,8% dos 166 tipos de serviços investigados. Entre os segmentos, o de informação e comunicação (7,9%) exerceu o principal impacto positivo, impulsionado pela demanda por soluções digitais, desenvolvimento de softwares, serviços de dados e plataformas online.
Outros ramos também cresceram mais de 2% ante o mesmo mês de 2025:
- Transportes (2%): maior receita vinda de transporte rodoviário de carga, transporte rodoviário coletivo de passageiros e concessões de rodovias;
- Serviços prestados às famílias (4,2%): puxados por restaurantes e hotéis;
- Outros serviços (2,7%): destaque para a intermediação de negócios em geral por meio de aplicativos ou de plataformas de comércio eletrônico.
O transporte de passageiros, especificamente, acumula perda de 4,3% em dois meses e opera 22,1% abaixo do pico histórico de fevereiro de 2014. O desempenho reflete uma combinação de fatores: a alta do petróleo, que pressiona os custos das companhias aéreas, e a desaceleração do consumo das famílias após o pico de contratações temporárias do fim de 2025.
São Paulo como vetor negativo; atividades turísticas prejudicadas
Entre as 27 unidades da federação, 13 registraram retração em março. São Paulo foi o estado com maior impacto negativo, recuando 2,1%, puxado principalmente pela queda observada nas atividades jurídicas e serviços financeiros auxiliares.
Na outra ponta, o Distrito Federal avançou 10,3% e o Rio de Janeiro subiu 1,8%, exercendo as principais contribuições positivas do mês.
O índice de atividades turísticas recuou 4,0% em março frente a fevereiro, segundo resultado negativo consecutivo. A retração foi influenciada pelos recuos nos serviços de hotéis, serviços de reserva relacionados à hospedagem, transporte aéreo e locação de automóveis. O segmento opera 6,3% abaixo do ápice da série histórica, atingido em dezembro de 2024.
O que esperar:
O setor de serviços segue como o principal motor da economia brasileira, mas os dados mais recentes indicam uma desaceleração gradual. O avanço consistente das atividades de informação e comunicação, puxadas pela transformação digital e pela expansão da inteligência artificial, tem sido o contraponto às dificuldades dos segmentos mais tradicionais, como transportes e turismo.
O comportamento do consumo das famílias nos próximos meses, influenciado pela trajetória dos juros, pela inflação e pelo mercado de trabalho, será determinante para saber se o setor conseguirá sustentar o ritmo de expansão.






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