Foto: The White House
O petróleo voltou a disparar nos mercados globais nesta segunda-feira (18) após o presidente Donald Trump renovar suas ameaças ao Irã, em meio ao impasse nas negociações de paz. O barril do Brent, referência global, subiu 1,98%, para US$ 111,42, enquanto o WTI avançou 2,43%, para US$ 107,98.
A escalada já dura 80 dias. Desde o início da guerra, no fim de fevereiro, o petróleo acumula alta superior a 50%, com o Estreito de Ormuz (por onde passava cerca de 20% do petróleo mundial) efetivamente fechado.
“O relógio está correndo”
A nova crise foi desencadeada por uma postagem de Trump no domingo (17) em sua rede Truth Social. “Para o Irã, o relógio está correndo, e eles é melhor se mexerem rápido, ou não restará nada deles. O TEMPO É ESSENCIAL!”.
Horas depois, a conta oficial da Casa Branca republicou a mensagem, amplificando o tom de ultimato. Trump também afirmou que se reuniu no sábado (16) com o vice-presidente JD Vance, o enviado Steve Witkoff, o secretário de Estado Marco Rubio e o diretor da CIA John Ratcliffe para discutir a guerra. Uma nova reunião com seu conselho de segurança nacional está prevista para esta terça-feira (19).
Os números da escalada
A cotação do petróleo reflete o agravamento das tensões:
- Brent (maio 2026): US$ 111,42 por barril (+1,98% no dia)
- WTI (maio 2026): US$ 107,98 por barril (+2,43% no dia)
- Alta desde o início da guerra: mais de 50%
- Preço antes do conflito: cerca de US$ 70 o barril
O que mantém os preços pressionados
- Estreito de Ormuz ainda fechado. A via marítima, crucial para o escoamento do petróleo do Golfo Pérsico, continua praticamente bloqueada. Mesmo com o cessar-fogo declarado em abril, o Irã mantém a passagem majoritariamente fechada, enquanto os EUA seguem com o bloqueio aos portos iranianos.
- Estoques globais em nível crítico. A Agência Internacional de Energia (AIE) alertou que os estoques de petróleo ao redor do mundo estão se esgotando em um ritmo recorde. O banco suíço UBS projetou que os estoques se aproximarão do menor nível da história até o fim de maio — 7,6 bilhões de barris, se a demanda se mantiver.
- Ataques no Golfo Pérsico. No fim de semana, um ataque com drones atingiu uma usina nuclear nos Emirados Árabes Unidos, provocando um incêndio e escancarando a fragilidade do cessar-fogo. O episódio foi interpretado como mais um sinal de que a região segue instável.
- Rússia entra na conta. A administração Trump deixou expirar uma isenção que permitia a venda de petróleo russo no mercado internacional, a pedido da Índia. A medida adiciona mais pressão sobre a oferta global em um momento já crítico.
Riscos de reescalada e impasse diplomático
O Irã afirmou que entregou uma contraproposta atualizada aos mediadores paquistaneses, mas o governo americano já a havia classificado como “totalmente inaceitável” na semana passada. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou que as negociações são “um processo contínuo” e que Teerã já recebeu e respondeu às “notas corretivas” americanas.
Questionado sobre a ameaça de Trump, Baghaei respondeu: “Não se preocupe, sabemos muito bem como responder”. O governo iraniano também deixou claro que, por enquanto, o foco das negociações é “o fim da guerra”, e que temas sensíveis, como o programa nuclear, não foram discutidos.






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