Foto: Aleksandra Aleshchenko
O futebol nunca ocupou o centro da cultura esportiva dos Estados Unidos, mas isso está mudando rapidamente. A Copa do Mundo de 2026 (a maior da história, com 48 seleções e 104 partidas) tem potencial para consolidar uma estratégia que já vem sendo desenhada há décadas.
O país que por muito tempo resistiu ao “soccer” (como os americanos chamam o futebol) agora investe bilhões para transformar o esporte em máquina de gerar negócios, influência e entretenimento.
A virada de chave
A transformação mais recente ganhou força com a contratação de Lionel Messi pelo Inter Miami em 2023. O “efeito Messi” foi imediato e superou todas as expectativas.
Os números impressionam:
- Dois jogos do Inter Miami em 2026 atraíram mais público que o Super Bowl (75.673 pessoas contra LAFC e 72.026 contra o D.C. United).
- A MLS ultrapassou 11 milhões de espectadores pela primeira vez na história.
- A receita da liga cresceu 10% desde a chegada do argentino, e 80% dos atuais parceiros comerciais foram atraídos após sua vinda.
O presidente da MLS, Don Garber, classificou este como o “ano mais importante” da liga, que se posiciona para capitalizar uma “tempestade perfeita de atenção global”. Donald Trump, em tom bem-humorado, sugeriu que o futebol americano precisa encontrar outro nome: “Nós precisamos inventar um novo nome para as coisas da NFL”, disse durante o sorteio da Copa.
A infraestrutura do futuro
Os preparativos para o Mundial de 2026 envolveram investimentos robustos em toda a América do Norte. Mais de US$ 11 bilhões foram injetados em estádios e centros de treinamento. Estão incluídos desde as gigantescas arenas compartilhadas com a NFL (como o Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta) até novos estádios exclusivos para o futebol, como o Miami Freedom Park, casa do Inter Miami, e futuras casas para NYCFC, Chicago Fire e New England Revolution.
A MLS, fundada em 1996 após a Copa de 1994,hoje reúne 30 franquias e funciona como uma sociedade anônima centralizada, onde os donos compram participação na liga como um todo, não apenas no clube. Entre os investidores, constam desde grupos tradicionais (Anschutz Entertainment Group, City Football Group) até estrelas do esporte e celebridades, como Kevin Durant e James Harden.
O comissário da MLS, Don Garber, já sinalizou que a liga quer mais e manifestou otimismo em trazer craques como Vinicius Jr. e Kylian Mbappé para atuar nos Estados Unidos no auge de suas carreiras.
A revolução (e a polêmica) na forma de consumir futebol
O impacto esperado é a remoção da barreira de entrada para o fã casual, potencialmente aumentando a audiência em massa e o valor comercial da liga. Com um novo contrato de cinco anos com a Fórmula 1 também no portfólio, a Apple se consolida como um grande player do streaming esportivo.
Mas o avanço do ‘soccer’ nos EUAnão vem sem controvérsias. A “americanização” do futebol (com preços dinâmicos de ingressos, merchandising agressivo, shows no intervalo, entre outras características) tem gerado críticas entre os torcedores mais tradicionais.
O estacionamento para a Copa, por exemplo, deve custar entre US$ 125 e US$ 150 por jogo, uma realidade distante do futebol mais tradicional. Para muitos, o modelo de negócios norte-americano prioriza o entretenimento e a monetização em detrimento da cultura popular do esporte.
Controvérsias à parte…
Mesmo assim, os investimentos seguem em ritmo acelerado. O presidente da Fifa, Gianni Infantino, afirmou que o PIB do futebol nos EUA corresponde a apenas 3% do que é gerado na Europa. E completou: “Uma das coisas mais surpreendentes nos negócios do esporte é que os americanos não acreditam na América. Isso é algo que eu não consigo entender”.
Com dinheiro, infraestrutura de ponta, respaldo político e estrelas globais em campo, os Estados Unidos tentam transformar o ‘soccer’ (o esporte mais popular do planeta) no próximo grande símbolo de poder econômico e cultural americano. E a Copa do Mundo de 2026 será o capítulo mais importante dessa história.







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