Foto: Matheus Silva/iStock
A taxa de desemprego no Brasil subiu para 6,1% no trimestre encerrado em março de 2026, de acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) divulgados nesta quinta-feira (30) pelo IBGE. O resultado veio em linha com a mediana das expectativas do mercado, que projetava 6,1%.
Apesar da alta na comparação com os três meses anteriores (o desemprego estava em 5,1% no quarto trimestre de 2025), a taxa de 6,1% é a menor para um trimestre encerrado em março em toda a série histórica da pesquisa, iniciada em 2012. Em igual período de 2025, o desemprego estava em 7,0%.
Sazonalidade explica alta
A coordenadora da pesquisa, Adriana Beringuy, explicou que a alta reflete, em grande medida, a sazonalidade do mercado de trabalho. “Essa expansão já era esperada porque vem logo após as contratações de fim de ano, sobretudo comércio, serviços domésticos e administração pública”, afirmou. Historicamente, o desemprego costuma aumentar no início do ano, em parte pelo retorno à busca por trabalho após o fim de vagas temporárias.
O número total de desempregados chegou a 6,6 milhões no período, com alta de 19,6% (mais 1,1 milhão de pessoas) ante o trimestre anterior. Na comparação anual, no entanto, o contingente recuou 13% (menos 987 mil pessoas).
Renda do trabalhador bate recorde
O grande destaque positivo da pesquisa foi o rendimento dos trabalhadores. A renda média habitual de todos os trabalhos chegou a R$ 3.722 por mês no trimestre até março, com altas de 1,6% frente ao período até dezembro e de 5,5% ante o mesmo intervalo de 2025, já descontada a inflação. O indicador renovou o recorde da pesquisa, que começou em 2012.
A massa de rendimento real habitual (a soma de todas as remunerações dos trabalhadores) também bateu novo recorde, chegando a R$ 374,8 bilhões, com estabilidade no trimestre e alta de 7,1% (ou mais R$ 24,8 bilhões) no ano. Segundo o IBGE, o rendimento cresceu em atividades que reduziram a participação de trabalhadores informais ou de formais com menores rendimentos.
O impacto nos juros e na inflação
Para economistas, o mercado de trabalho segue aquecido, e isso tem implicações diretas sobre a inflação e os juros. O nível de ocupação segue em trajetória de alta, apesar de alguma desaceleração em março. As estatísticas da Pnad reforçaram o cenário de mercado de trabalho apertado. A taxa de desemprego permanece significativamente abaixo de seu nível neutro.
O rendimento em alta, recorde histórico, é reflexo do desemprego baixo, da escassez de mão de obra em alguns segmentos e do impacto do aumento do salário-mínimo. Essa forte elevação da renda do trabalhador impõe desafios para a inflação brasileira, especialmente no setor de serviços, o que pode interferir nas próximas decisões do Copom.
O que esperar
Analistas projetam que a taxa de desemprego deve registrar alta gradual ao longo do ano, depois de ter alcançado os menores valores da história, acompanhando o enfraquecimento esperado da economia. A tendência, no entanto, permanece de um mercado de trabalho ainda resiliente, que deve seguir como vetor de sustentação do consumo das famílias e do PIB.






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